TSE E VIGILÂNCIA SÃO BONS EXEMPLOS

Urnas eletrônicas estão entre melhores do mundo e serviço epidemiológico tem ação rápida e eficaz

O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2012 | 02h00

Mas o serviço público não é eficiente apenas para cobrar. Mais ou menos na mesma época em que a Receita começava a implementar seu sistema - meados dos anos 1990 -, o Tribunal Superior Eleitoral abria concorrência para a urna eletrônica, que tornou a votação e a apuração dos votos no Brasil as mais seguras e rápidas do mundo.

Mesmo sem toda essa parafernália tecnológica, a Vigilância Epidemiológica é outro exemplo de serviço público de qualidade. Graças a um sistema eficaz de vacinação e de alerta, o Brasil erradicou doenças como varíola e poliomielite muito antes de países de desenvolvimento igual ou superior.

Em 2009, uma menina de 10 anos encontrou um morcego na árvore na frente de casa, em Valinhos, a 80 km de São Paulo. Com a ajuda da avó, colocou o bicho em uma caixa de sapato e o levou para a aula de ciências. A Vigilância Epidemiológica foi acionada. Os pais das nove crianças que tocaram no morcego foram contatados, e orientados a levar seus filhos ao hospital da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para tomar injeções contra a raiva, transmitida pelo morcego. Ao longo de um semestre, os pais - entre eles, o repórter do Estado - receberam telefonemas, e finalmente uma visita de funcionários da Vigilância, para verificar se todas as vacinas tinham sido aplicadas às crianças, e se elas não apresentavam sintomas de raiva.

Sueli Dallari, especialista em saúde pública da Universidade de São Paulo (USP), confirma que a Vigilância Epidemiológica funciona bem no Brasil, apesar de eventuais precariedades em sua estrutura. A explicação, analisa Sueli, pode estar na atuação de grandes epidemiologistas e sanitaristas na história do País, como Geraldo de Paula Souza, Osvaldo Cruz, Vital Brasil e Carlos Chagas. "Eles foram modelos de correção e geraram nichos de excelência, criaram uma moralidade, uma mentalidade que não é a mesma de qualquer serviço público." / LOURIVAL SANT'ANNA

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