Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

TRT dobra multa e pede suspensão da greve a sindicalistas da CPTM

Descumprimento de operação mínima rende pena de R$ 200 mil/dia; desembargador quer só estado de greve

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2011 | 13h13

SÃO PAULO - O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) decidiu na manhã desta quinta-feira, 2, elevar para R$ 200 mil por dia a multa por descumprimento de uma liminar anterior do próprio órgão, que estabelecia uma funcionamento mínimo de trens da Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos (CPTM) durante a greve. A determinação é que se mantenha 90% do serviço entre 5h30 e 10h e das 15h30 e 21h e 70% nos demais horários.

 

O desembargador Davi Furtado Meirelles solicitou que os sindicalistas levassem a assembleia a proposta de suspensão da paralisação, mas a permanência do estado de greve. Outra proposta é a antecipação para 18h30 para as 17h de hoje a realização das reuniões dos três sindicatos grevistas.

 

A CPTM não apresentou outra proposta de reajuste salarial. As novas ofertas da companhia foram licença de 180 dias, vale-refeição de R$ 18, salário de treinamento e um compromisso de estabelecer um bilhete de serviço para os funcionários que trabalham em estações de integração com o Metrô.

 

Segundo os sindicalistas, na reunião realizada no início da manhã com o secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, e o presidente da CPTM, Mário Bandeira, foi estabelecido que uma nova proposta de reajuste seria encaminhada até a realização das assembleias dos sindicatos.

 

Os advogados companhia, no entanto, evitaram oficializar o compromisso na audiência - que acabou constando em ata somente. "Isso mostra o comportamento da CPTM nessa negociação. Eles prometem em reservado, mas depois não assumem um compromisso formal", disse o presidente do Sindicato dos Ferroviários de São Paulo, Eluiz Alves de Matos.

 

Tensão. O desembargador Davi Furtado Meirelles reclamou durante a audiência do comportamento da CPTM durante a negociação. "É uma falta de respeito com a justiça a CPTM ter um interlocutor para os trabalhadores e outro aqui para se manifestar". A queixa aconteceu após a advogada da companhia dizer que não teria como indicar uma nova proposta, que ainda era avaliada pela Secretaria da Fazenda, portanto, não tinha autonomia para negociar na reunião.

 

Meirelles também se queixou de declarações de diretores da CPTM que culparam a Justiça pela greve. "Eu ainda tive que engolir em seco quando li declarações hoje do presidente dizendo que a greve tinha atingido esse estado por inoperância da Justiça. Eles nem tiveram o respeito de manter um único interlocutor nas negociações", disse no meio da audiência e acabou aplaudido de pé pelos sindicalistas.

 

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