Tropa de Choque vai separar torcidas durante apuração

200 homens da unidade vão fazer a segurança no Anhembi; com novas regras, expectativa é de disputa acirrada

CAMILA BRUNELLI , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2012 | 03h01

Para a apuração do carnaval paulistano, que ocorre hoje, às 16h, no sambódromo do Anhembi, cerca de 200 homens da Tropa de Choque vão monitorar toda a entrada e a ocupação das arquibancadas, separando as torcidas da Gaviões da Fiel (ligada ao Corinthians), Mancha Verde (Palmeiras) e Dragões da Real (São Paulo). O objetivo é evitar confusão na divulgação das notas - sobretudo com as mudanças de regulamento, que vão tornar a disputa mais acirrada neste ano.

Uma viatura da Força Tática e 20 homens farão a segurança dos arredores do Parque Anhembi. Outros 70 homens poderão ser solicitados pela corporação, em caso de necessidade.

Segundo o tenente-coronel Oswaldo Garcia, comandante do 9.° BPM (zona norte), será feito também o monitoramento de segurança pelas 26 câmeras do complexo. A última confusão nas apurações ocorreu há dois anos, quando integrantes da Gaviões arremessaram cadeiras contra a área de cerimônia.

Mudanças. Entre as mudanças na apuração deste ano está a diminuição no número de jurados por quesito, que passa de cinco para três, totalizando 27 avaliadores. Até o ano passado, a menor e a maior das cinco notas eram descartadas. A partir desta apuração, apenas a nota mais baixa será desconsiderada.

Outra novidade é o sistema decimal de notas, cujo objetivo é deixar a avaliação mais rigorosa. O desconto mínimo que um julgador poderia aplicar a uma escola que tivesse infringido alguma regra era de 0,25. Neste ano, o desconto passa a ser de 0,1, mas a nota mínima foi de 7 para 8.

Apesar das notas decimais conferirem um aspecto mais criterioso às avaliações, especialistas acreditam que a possibilidade de empate aumenta, por ser menor o número de notas somadas. Para o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel de Oliveira, a pontuação decimal ajuda até na proximidade das notas. "É possível que os primeiros lugares tenham pontuações muito parecidas." Para Oliveira, detalhes definirão a campeã. "Não será como antes, em que no meio da apuração já dava para arriscar quem ganharia."

O presidente da União das Escolas de Samba Paulistanas (Uesp), Kaxitu Ricardo Campos, concorda com Oliveira. Para ele, a proximidade será grande até na hora de definir o rebaixamento. Como o menor desconto passa a ser de 0,1, as notas tendem a ficar acima de 9,5. "Para chegar a 9,3 ou 9,2, as escolas terão de ter cometido uma sequência grande de erros", disse. "Além disso, o avaliador mais rígido terá a nota excluída."

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