Tropa de Choque tenta transferir presos à força

Cerca de 50 PMs arrombaram CDP de Pinheiros, mas agentes em greve conseguiram barrar entrada de 63 detentos; sindicato vai permitir visitas

O Estado de S.Paulo

22 Março 2014 | 02h07

Novos confrontos entre agentes penitenciários, em greve há 13 dias, e policiais voltaram a ocorrer ontem na entrada de unidades prisionais do Estado de São Paulo. Foram registrados tumultos em centros de detenção da capital, de Ribeirão Preto, Franca, Jundiaí, Campinas, Piracicaba e Cerqueira César.

Na porta dos presídios, parentes de presos estavam apreensivos com a possibilidade de suspensão das visitas hoje e manhã. Mas, segundo o Sindasp, um dos sindicatos que representam os agentes, as visitas estão mantidas no fim de semana.

Cerca de 50 homens da Tropa de Choque estavam em frente ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros, desde a manhã de ontem. Às 13h, eles arrombaram o portão da unidade e utilizaram os escudos e spray de pimenta para afastar os grevistas que tentavam impedir a entrada de presos escoltados pela polícia.

Mesmo depois de os carros entrarem na unidade, os agentes conseguiram impedir a inclusão dos 63 detentos nos CDP 1 e 4 de Pinheiros. Os grevistas aplaudiram quando o delegado do 91.º DP (Ceagesp), Daniel Coen, saiu do prédio com a notícia de que levaria os presos para outro local. "Pinheiros! Pinheiros", gritavam os grevistas.

Policiais civis e militares romperam o piquete e entraram com 41 presos no CDP de Capela do Alto, na região de Sorocaba. Cerca de 50 agentes que, desde a manhã, faziam um cordão humano na entrada da unidade, acabaram recuando depois de uma negociação tensa com os policiais. Alguns protestaram, alegando que a entrada forçada era humilhante, mas optaram pelo não confronto.

As negociações foram intermediadas pelo delegado assistente da Delegacia Seccional de Sorocaba, Fábio Laino Cafisso, que alertou para a liminar dada pela Justiça garantindo o ingresso dos presos.

Visitas. O comando de greve dos agentes penitenciários decidiu que, mesmo com a manutenção da paralisação, as visitas até mesmo as íntimas serão mantidas neste fim de semana. "Decidimos manter o atendimento às visitas porque não podemos penalizar os presos. Nossa divergência é com o governo do Estado, que teima em não negociar com a categoria, embora esteja divulgando o contrário", disse o presidente do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo (Sindasp), Daniel Grandolfo.

Entretanto, agentes de unidades prisionais de Sorocaba, Capela do Alto e da capital disseram ao Estado que não descartam a possibilidade de impedir a entrada de parentes como forma de pressão. "A realidade é que o governo quer acabar com a greve sem oferecer nada", disse um agente do CDP Pinheiros, que preferiu não se identificar. Para Grandolfo, é possível que algumas poucas unidades tentem impedir a visita, mas que essa não foi a orientação.

Durante toda a tarde, parentes dos detentos buscavam informações na porta dos presídios. "Ninguém diz nada. Hoje (ontem) é aniversário do meu pai. Queria visitá-lo. Preciso ver como ele está", disse uma operadora de telemarketing, cujo pai está preso no CDP de Belém, zona leste de São Paulo..

Na porta da unidade prisional de Pinheiros, um grupo de 15 mulheres já se organizava para a visita do final de semana. "Não estão dando a assistência necessária aos nossos maridos. Acho que pode ter rebelião se não tiver visita, porque eles já não estão recebendo o jumbo (produtos que as famílias levam semanalmente para os detentos)", disse a mulher de preso que está há um ano e 7 meses no CDP de Pinheiros. "A gente não sabe se vai ter visita, se vai poder levar comida. Estamos todas preocupadas com essa situação, disse E.P.B, manicure de 23 anos. / JOSÉ MARIA TOMAZELA, LAURA MAIA DE CASTRO e CHICO SIQUEIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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