Denny Cesare/Código 19
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Tropa de Choque é acionada para transferência de presos em São Paulo

Com agentes penitenciários em greve, pelo menos sete cidades de São Paulo tiveram tumultos

O Estado de S. Paulo

20 Março 2014 | 21h50

Policiais da Tropa de Choque e da Força Tática da Polícia Militar foram acionados nesta quinta-feira, 20, para garantir a transferência de presos no 11.º dia de greve dos agentes penitenciários do Estado. Foram registrados tumultos nas portas de unidades prisionais de São Paulo, Hortolândia, Capela do Alto, São José do Rio Preto, Mogi das Cruzes e Sorocaba. Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), nesta quinta-feira 88 das 158 unidades prisionais do Estado tinham parte dos serviços paralisada por causa da greve.

Em Hortolândia, na região de Campinas, a Tropa de Choque liberou à força a entrada das viaturas que levavam detidos para o complexo penitenciário Campinas-Hortolândia. Eles retiraram pelos braços cerca de 25 agentes penitenciários em greve há 11 dias e que formaram um cordão humano em frente ao acesso da unidade. O primeiro comboio de presos conseguiu entrar com cerca de 30 detentos. Outro grupo de presos não conseguiu entrar e teve de retornar para o distrito.

Na zona leste da capital, a Tropa de Choque também foi acionada para garantir que policiais civis entrassem com cerca de 100 presos no Centro de Detenção Provisória Chácara Belém. Agentes penitenciários tentaram impedir a chegada dos presos, mas todos foram recebidos, segundo a Polícia Militar.

Daniel Grandolfo, presidente do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo (Sindasp), disse que a Tropa de Choque utilizou spray de pimenta contra agentes e que os presos foram recebidos pelos diretores da unidade. No CDP de Pinheiros, na zona oeste, o choque também foi acionado. "Estamos mantendo as visitas, as alimentações, a questão de saúde e alvará de soltura. Se a gente fizer essa movimentação de presos, não existe nenhuma forma de pressão", disse Grandolfo.

Em Sorocaba, na Cadeia Pública de São Roque, no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Aparecidinha, assim que os policiais se posicionaram, os agentes penitenciários em greve recuaram e permitiram a passagem dos presos. Eles foram levados para a cela por policiais civis, já que os agentes se negaram a acompanhar a entrada. O impasse, que teve início com a chegada do comboio, às 7 horas, só terminou às 16 horas, com a intervenção da PM.

Durante todo o dia, os detentos ficaram na rua, algemados em dupla, aguardando as negociações entre os grevistas e a direção do CDP. Eles foram retirados do veículo depois que alguns passaram mal em razão do calor. Muitos sentaram-se na calçada, enquanto outros chegaram a se deitar no canteiro central da via pública, sob escolta.

No Centro de Detenção Provisória (CDP) de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, agentes também continuam em greve. Eles barraram a entrada de advogados e a saída de presos que seriam levados para uma audiência. Foi permitida apenas a passagem do caminhão com a comida dos presos.

Presidente Prudente. Um delegado de polícia e dois diretores do presídio foram obrigados a fazer, sozinhos, a remoção de 30 presos, das viaturas para as celas do CDP de Caiuá, na região de Presidente Prudente, na tarde desta quinta-feira, 20. Os agentes saíram da unidade e entregaram as chaves das celas para os diretores e o delegado, que tiveram de fazer a inclusão para evitar a entrada da Tropa de Choque, o que poderia causar rebelião.

Para o juiz da 3.ª Vara Criminal de Campinas, Nélson Augusto Bernardes, a situação é de risco para a segurança pública e o governo do Estado precisa agir rapidamente. "Há risco de pessoas que foram detidas não serem julgadas a tempo e serem colocadas na rua, mesmo sendo um caso em que deveriam estar presas. Existe também um risco de rebeliões", afirmou o magistrado, que desde o início do movimento diz ter deixado de realizar pelo menos 25 audiências de detentos.

"O Executivo tem de agir rapidamente e mostrar boa vontade para resolver a questão, não pode se valer do argumento de que tem uma decisão judicial que precisa ser cumprida", afirmou o juiz. / LAURA MAIA DE CASTRO, RICARDO BRANDT, JOSÉ MARIA TOMAZELA e CHICO SIQUEIRA

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