Trocas na Câmara deixam PT e PSDB empatados

Trocas na Câmara deixam PT e PSDB empatados

Bancadas dos dois partidos somam agora dez vereadores cada; prefeito Fernando Haddad (PT) terá de recompor base aliada

Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo

15 de março de 2015 | 22h00

Com a posse ocorrida nesta domingo, 15, dos vereadores eleitos deputados estaduais, a Câmara Municipal de São Paulo completa um segundo processo de renovação em apenas dois anos. Nesse período, 45% das vagas foram trocadas em relação à última legislatura, e o resultado é um empate numérico entre representantes do PT e do PSDB. Cada partido tem agora dez nomes.

Nessa dança das cadeiras, os petistas perderam um parlamentar, enquanto os tucanos receberam um reforço. Na prática, o PT, por representar o governo do prefeito Fernando Haddad, permanece na liderança dos trabalhos, mas corre o risco de ser contestado no fim do ano durante a disputa pela presidência da Casa.

O cargo, que hoje é do petista Antônio Donato, costuma ser definido segundo as regras de proporcionalidade das bancadas, ou seja, o partido com o maior número de vereadores indica o presidente. Do mesmo modo, os demais postos são divididos entre as siglas que ocupam as posições seguintes. É por isso que o PSDB, então segundo partido com mais representantes, comanda hoje a primeira secretaria, segundo cargo mais importante da Casa.




Líder dos tucanos, Andrea Matarazzo disse que a nova divisão pode fazer com que o PSDB pleiteie a presidência, após um período de dez anos - Roberto Tripoli foi o último representante do partido a ocupar o cargo, em 2005. Depois, deixou a sigla e hoje representa o PV - desde domingo, 15, ele é um dos novos deputados estaduais de São Paulo. Os demais são: José Américo (PT), Coronel Camilo (PSD), Coronel Telhada (PSDB) e Marta Costa (PSD).

Base. Até a disputa da presidência, o que pode mudar, na visão de Matarazzo, é a composição da base do prefeito Haddad, que, desde o ano passado, enfrenta dificuldades para conseguir aprovar seus projetos. Líder do governo, o vereador Arselino Tatto (PT) reconhece que pode enfrentar problemas, mas acredita que o diálogo aberto e constante com os novatos possa fazer com que eventuais diferenças sejam superadas.

“Estou confiante nessa nova composição da Casa, até porque muitos dos suplentes que vão assumir já atuaram como vereador. Agora, falar sobre a presidência ainda é muito cedo. A disputa é só no fim do ano”, diz Tatto, que acredita na manutenção do comando petista.


A nova composição citada por Tatto é baseada nas mudanças ocorridas em outros partidos. O PRB, por exemplo, perdeu um nome e o PSD, partido do ex-prefeito Gilberto Kassab, três representantes. Na contramão, PTB, DEM e PP ganham um cada. O resultado do entra e sai é a troca de 25 dos 55 vereadores.

Na divisão das bancadas, a perda de um vereador do PT foi compensada com a chegada de novos parlamentares ao PP e ao PTB, dois partidos que sempre apoiam o governo. O DEM também costuma compor a base de Haddad, que precisa geralmente de 28 votos para ver seus projetos aprovados, com exceção de temas que envolvem o zoneamento ou o Plano Diretor, assim como propostas que alteram a Lei Orgânica do Município. Nesses casos, o número de votos favorável varia de 33 a 37, o que exige mais negociação. 

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