Felipe Dana/AP
Felipe Dana/AP

Trio é detido furtando doações recolhidas por universidade

Policiais flagraram motorista da Uerj retirando donativos de caminhão que seguia para vítimas da região serrana

Pedro Dantas, Bruno Boghossian e Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2011 | 00h00

Responsável por transportar os donativos arrecadados para as vítimas das chuvas na região serrana do Rio, o motorista da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Gilson Silva do Nascimento, de 48 anos, foi preso em flagrante na noite de segunda-feira em Campo Grande, zona oeste do Rio, com o irmão Jorge Mauro do Nascimento, de 52, e um rapaz de 17. Motivo: os três estavam roubando parte das doações às vítimas da tragédia.

O trio descarregava parte do conteúdo das doações do caminhão-baú para uma Fiorino, que já estava abarrotada de água mineral, quando foi surpreendido por dois cabos do Batalhão de Polícia Rodoviária de folga.

Após a abordagem, o motorista da Uerj afirmou que estava colocando no caminhão-baú os produtos arrecadados na sua rua, mas foi desmentido pelos vizinhos. Segundo a universidade, após deixar a instituição com as doações no Maracanã, zona norte, ele deveria passar no Batalhão da Tijuca e no Batalhão de Niterói para coletar mais donativos. No entanto, o motorista foi para a Rua João Cirilo de Oliveira, nas imediações de sua casa.

O funcionário disse que foi autorizado pela instituição a tomar banho, antes de seguir para a entrega das doações. O reitor da Uerj, Ricardo Vieiralves, desmentiu a versão. "Nada do que ele afirmou é verdade. Conseguimos pegar um pilantra." Segundo ele, o motorista era funcionário da Uerj há 10 anos e não tinha nenhuma falta grave na ficha.

A universidade continuará recolhendo doações. "Não podemos achar que todos são abutres e desistir de ajudar", disse o reitor. Os irmãos foram autuados por furto qualificado, abuso de confiança e concurso de pessoas. O rapaz de 17 anos foi levado para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.

Segurança. Para evitar desvios dos donativos recebidos em Nova Friburgo, os postos de coleta começaram ontem a cadastrar o material recebido e o que sai de cada local. Os dados dos condutores dos carros e caminhões e informações sobre os produtos são anotados nos principais pontos de triagem das doações, a Fábrica Ypu e o ginásio do Friburguense. "As doações só saem daqui se o motorista tiver essa guia preenchida", explica o tenente-coronel José Mateus, diretor de mobilização de recursos da Defesa Civil do Estado do Rio.

Se os donativos chegarão ou não ao abrigo determinado pela prefeitura é responsabilidade da Secretaria de Assistência Social. Mas o técnico da secretaria responsável pelo recebimento e distribuição desses mantimentos, Mário César Carestiato, admite ser difícil manter o olho em todas essas toneladas de donativos. "Acredito que chegue tudo ao destino final, porque estamos priorizando essa lista de abrigos específicos. Mas não dá para controlar 100%."

Para tentar rastrear a distribuição do material, a Defesa Civil decidiu não entregar em igrejas e instituições que não estejam integradas às ações da prefeitura. No entanto, no estádio do Friburguense, voluntários relataram casos de desvios. "O pessoal viu caminhonetes saírem carregadas de água e pararem ali na frente para vender para os moradores", conta Laís Busquet Soares, que cuida dos cadastros.

Desencontro. Em Teresópolis, a decisão da prefeitura de centralizar a distribuição de donativos e as operações de resgate continua irritando voluntários. Mantimentos só poderiam ser distribuídos com autorização do município, o que teria impedido dezenas de missões de auxílio. A prefeitura nega que haja conflitos, mas reitera que é sua responsabilidade comandar a distribuição de mantimentos.

Na mesma cidade, informações desencontradas fizeram com que helicópteros de socorro transportassem mantimentos mais de uma vez para as mesmas localidades, em áreas isoladas. Militares envolvidos nas operações confirmam que, nos primeiros cinco dias, equipes "bateram cabeça", realizando missões coincidentes ou improdutivas.

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