Tribunal manda soltar jovem que pichou a Bienal de São Paulo

TJ revoga decisão de quarta-feira e manda soltar jovem que está presa no Carandiru

Da Redação,

18 Dezembro 2008 | 18h58

O Tribunal de Justiça mandou soltar a jovem Caroline Pivetta da Mota, que pichou uma das paredes da Bienal de São Paulo. A decisão foi tomada nesta quinta-feira, 18, e revoga a decisão tomada na quarta, que negou pela segunda vez consecutiva o pedido de habeas corpus feitos pelos advogados de Caroline. Apesar da decisão, não está confirmado que a menina seja solta ainda nesta quinta-feira.   Veja também: Bienal sofre ataque de 40 pichadores no dia da abertura    Após ser detida pelos seguranças, a garota foi levada ao 36º Distrito Policial (Paraíso) e três dias depois foi presa na Penitenciária Feminina Sant'Ana, no Carandiru. Ré primária, ela divide a cela com uma detenta. Seu companheiro de grupo, o taxista Rafael Martins, de 27 anos, foi preso, mas liberado após sete dias. Os dois podem responder processo por destruição de prédio público, com pena de um mês a dois anos de prisão. A acusação pode agravar porque o prédio é tombado.   De acordo com Cristiane Carvalho, advogada de Caroline, a jovem continuava presa por falta de comprovante de residência. Caroline mora em Diadema, onde divide uma casa com um amigo. "Não houve invasão nem depredação, mas manifestação política, pois eles pregam a contracultura, de que o artista de periferia não tem oportunidades para expor", disse Cristiane. A mãe, que soube da prisão pela imprensa, veio do Rio Grande do Sul para acompanhar o caso.   Repercussão   O curador da 28ª Bienal, Ivo Mesquita, argumentou que a garota foi detida por vandalizar um prédio tombado . "Uma coisa é a pichação como parte da cultura urbana. No entanto, o histórico desse grupo mostra uma atitude contrária à ética dos demais. No Centro Universitário Belas Artes e na Galeria Choque Cultural, eles picharam trabalhos. No túnel da Avenida Paulista, eles picharam um mural grafitado. Isso é censura porque é o apagamento do trabalho do outro", disse.   O líder do grupo, Rafael Augustaitiz, de 24 anos, o Pixobomb, disse que "as instituições têm oprimido a imaginação e desonrado o intelecto, degradando as artes". Essa foi a terceira invasão no ano do grupo PiXação: Arte Ataque Protesto.   Para o artista plástico José Roberto Aguilar, a Bienal deveria retirar a acusação contra a garota. "Achei uma hipocrisia porque o segundo andar era um convite à contravenção. É como se estivesse escrito em letras garrafais 'me invada'". Ele vê a pichação como manifestação válida. "Se a invasão fosse no Museu de Artes de São Paulo (Masp) seria um crime. Foi uma reação à falta de conteúdo."   Pichadores e grafiteiros ouvidos pelo Estado foram unânimes: consideram absurda a prisão. "É um exagero, pois apesar de ela ter feito interferência no patrimônio, trata-se de uma pena pesada", afirmou o grafiteiro Oswaldo Júnior, o Juneca - que já foi pichador.   (Com informações de Bruno Paes Manso e Mônica Cardoso, de O Estado de S. Paulo.)

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