Tribunal de Justiça de São Paulo manda prender Gil Rugai

Estudante foi condenado em fevereiro de 2013 a 33 anos e nove meses de prisão em regime fechado pela morte do pai e da madrasta

Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo

04 de novembro de 2014 | 15h48

Atualizada às 21h51

SÃO PAULO - Condenado em fevereiro do ano passado a 33 anos e nove meses de prisão em regime fechado pela morte do pai e da madrasta, em 2004, o estudante Gil Rugai teve a prisão decretada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, que negou a anulação do julgamento na manhã desta terça-feira, 4. 

A apelação, feita pela defesa, foi negada por unanimidade pelos desembargadores do órgão. Com a decisão, Rugai, que não estava no plenário, pode ser preso a qualquer momento.

Segundo o advogado Marcelo Feller, um dos responsáveis pela defesa, o estudante vai se apresentar à Justiça. Ele não disse quando nem onde Rugai deve fazer isso, mas assegurou que o réu não pretende fugir. “Mandado de prisão é para ser cumprido. Gil já está ciente da decisão de hoje e não vai fugir. Aliás, em todas as ocasiões em que a Justiça solicitou sua presença, ele compareceu.”

Feller, no entanto, afirmou que entrará com novo recurso nos órgãos superiores - Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF) - contra a condenação de Rugai. Segundo o advogado, os argumentos a serem apresentados agora deverão ser processuais, já que a fase de análise de provas se encerrou.

“Uma das nossas alegações será o fato de uma testemunha surpresa ter sido ouvida no quarto dia de julgamento. Rudi Otto, ex-sócio de Gil Rugai, havia sido dispensado pela defesa, mas o juiz o convocou em juízo, com conhecimento apenas da acusação, e sua oitiva foi muito prejudicial.”

Responsável pela acusação, o promotor de Justiça Rogério Leão Zagallo comemorou a decisão dos desembargadores e reafirmou que não há qualquer vício no processo que permita a anulação. “O julgamento de hoje é o coroamento do trabalho intenso e sério que começou em 2004 e de uma certeza do Ministério Público de que Gil Rugai é o autor dos fatos.” Zagallo, porém, teme que o mandado de prisão não possa ser cumprido. “Não acredito na boa-fé dele (Rugai) em se apresentar, apesar de esperar por isso.”

Há dez anos Gil Rugai nega ser o autor dos disparos que mataram Luiz Carlos Rugai, pai do estudante, e Alessandra Troitino, a madrasta, em 28 de março de 2004. 

O crime aconteceu dentro da casa do casal, em Perdizes, na zona oeste de São Paulo. De acordo com a acusação feita pela Promotoria e aceita pelos jurados durante o julgamento do caso, em fevereiro de 2013, o estudante cometeu o crime por dinheiro. Luiz Carlos Rugai havia descoberto que o filho desviava recursos da empresa da família. 

Rugai foi condenado a 33 anos e nove meses de prisão (em regime fechado), mas o juiz Adilson Paukoski Simoni determinou que ele poderia recorrer em liberdade. A defesa do estudante não informou onde ele esteve durante o período em que aguardava o julgamento do recurso.



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