Tribunal cassa tenente acusado de matar rapaz com choques

Crime ocorreu em dezembro de 2007; houve unanimidade na decisão do tribunal anunciada na quarta-feira, 20

Sandro Villar, especial para O Estado,

21 Maio 2009 | 17h20

O tenente da Polícia Militar, Roger Marcel Vitiver Soares de Souza, de 32 anos, foi cassado pelo Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo. Ele e mais cinco militares são acusados de agredir e matar com choques elétricos o adolescente Carlos Rodrigues Júnior na cidade de Bauru. O crime ocorreu em dezembro de 2007. Houve unanimidade na decisão do tribunal anunciada na quarta-feira, 20. Todos os seis juízes votaram a favor da cassação de Souza, que perdeu o posto e a patente de 2º tenente, mas continua na PM e recebe 1/3 do salário. Depois da cassação, o tenente deverá ser expulso. Ele pode recorrer no próprio tribunal que o cassou ou no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

 

Os outros cinco militares acusados já foram expulsos. No ano passado, a Polícia Militar dispensou o cabo Gerson Gonzaga da Silva e os soldados Emerson Ferreira, Juliano Arcângelo Bonini, Maurício Augusto de Lasta e Ricardo Ottaviani. Eles integravam o pelotão comandado pelo tenente Souza, que na noite do dia 15 de dezembro de 2007 invadiu a casa de Júnior e achou uma motocicleta roubada. O rapaz, de 15 anos, foi acusado de roubar a motocicleta junto com outro menor. Como ele não confessou o roubo, foi espancado e recebeu choques elétricos em sua própria casa. O adolescente não resistiu. O episódio ficou conhecido como Caso Juninho. A Polícia Civil de Bauru apurou que o menor participou de outros sete furtos.

 

Roger Marcel Vitiver Soares de Souza, juntamente com outros cinco policiais que comandava, ele é acusado da prática de tortura e homicídio qualificado contra o menor Carlos Rodrigues Junior, cuja morte provocou manifestação popular e grande repercussão.

 

Ao descobrirem que uma moto roubada de um mototaxista encontrava-se no quintal da casa do menor, os policiais entraram na casa, deixando o menor preso no quarto, e o torturaram com choques elétricos enquanto a mãe e a irmã eram mantidas sob vigilância na sala. Os policiais só saíram do local aproximadamente meia hora depois, levando a vítima para a Pronto-Socorro Municipal, onde chegou morta. Laudo da polícia científica constatou que Rodrigues levou pelo menos 15 choques.

Vizinhos do menor promoveram uma passeata no bairro, quando queimaram pneus e madeira e depredaram a sinalização de trânsito e fachadas de casas comerciais. O governador José Serra (PSDB) antecipou-se ao processo judicial e mandou o Estado indenizar a família. Dias depois, a polícia constatou que o morto era realmente o autor do furto da moto e já havia participado de outras ocorrências.

 

(Com Jair Aceituno, especial para O Estado)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.