MARIO ANGELO/SIGMAPRESS
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Treze dias após ser solto pela Justiça, consultor acusado de matar ex-mulher é preso no Rio

Segundo laudo obtido pelo Estado, Chateuabriand Bandeira Diniz Filho deu 19 golpes de faca na vítima

Alexandre Hisayasu e Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

18 de outubro de 2016 | 21h23

O consultor financeiro Chateuabriand Bandeira Diniz Filho, de 51 anos, acusado de matar com 19 golpes de faca a ex-mulher, Mariana Marcondes, 43, foi preso na tarde desta terça-feira, 18, no Rio  por agentes do Ministério Público. Diniz Filho estava solto desde o último dia 5, após ter tido a prisão temporária revogada pela Justiça de São Paulo. Ele estava morando no Rio com os filhos de 6 e 9 anos. 

A prisão preventiva foi decretada pelo 1º Tribunal do Júri de São Paulo, após denúncia do Ministério Público do Estado (MPSP). Agora, o consultor será transferido para São Paulo, onde será julgado. O promotor do MPE Felipe Eduardo Levit Zilberman requereu a prisão preventiva do acusado há cinco dias, em 13 de outubro. A denúncia foi aceita na íntegra pelo 1º Tribunal do Júri de São Paulo nesta segunda-feira, 17. 

Segundo laudo necroscópico obtido pelo Estado, Diniz Filho deu 19 golpes de faca na vítima: dois na face, um no abdome, quatro na região cervical, quatro na região dorsal, um na clavícula esquerda, dois no ombro esquerdo, dois na mão esquerda, um no braço e dois no tórax.

No texto, Zilberman disse que o acusado agiu "com manifesto ânimo homicida, por motivo torpe, com emprego de meio cruel, valendo-se de recurso que dificultou a defesa da ofendida e em contexto de violência doméstica e familiar". Diniz Filho já foi alvo de três boletins de ocorrência registrados pela ex-mulher por violência doméstica, ameaça, lesão corporal, sequestro e cárcere privado. 

O crime aconteceu no dia 17 de setembro em um condomínio do Belém, na zona leste da capital paulista, onde a família morava. O consultor e a ex-mulher haviam voltado a morar juntos cerca de um mês e meio atrás, por dificuldades financeiras, no apartamento do casal. Eles ficaram juntos de 2007 a 2013, quando houve o divórcio. 

O promotor alerta, na denúncia, para o risco de fuga do País pelo consultor. Segundo Zilberman, o consultor oferece "prejuízo patente" para a instrução criminal. "No mesmo dia (do crime), o réu fugiu para o Rio de Janeiro levando a arma do crime. Lá chegou com suas vestes ainda sujas de sangue derramado da vítima. (...) Levou consigo os celulares (seu e da vítima). Os mesmos que, segundo ele, constavam mensagens comprometedoras. Nada disso pôde ser apreendido pela polícia. Todas essas provas encontram-se em seu poder", argumenta. Zilberman defende que é "imprescindível" a prisão preventiva do acusado para assegurar a futura aplicação da lei penal. 

Liberdade. Segundo as investigações da polícia, depois da matar a ex-mulher, o consultor foi para o Rio junto com os filhos. As crianças foram deixadas com os avós. Ele chegou a ser considerado foragido da Justiça e teve a prisão temporária decretada. Diniz Filho se entregou à polícia no dia 20 de setembro, confessou o crime e se disse arrependido.

No depoimento dado à polícia no dia 20, Diniz Filho relatou ter visto no dia do crime Mariana passando com uma faca de cozinha nas mãos após uma discussão do casal. Ela teria se trancado em um quarto e, quando o acusado conseguiu abrir a porta, teriam havido agressões mútuas. O consultor teria conseguido arrancar a faca das mãos da vítima, ferindo-se na mão direita. Diniz Filho admitiu que esfaqueou a mulher, mas não soube precisar a quantidade de golpes. Ele frisou que não sabia informar se foi um golpe ou se foram vários.  

No dia 5 de outubro, o juiz Roberto Zanichelli Cintra, do 1º Tribunal do Júri, foi quem determinou a soltura do suspeito após avaliar o pedido dos seus advogados. O magistrado considerou em sua decisão que o consultor se apresentou espontaneamente à delegacia, confessou o crime, e só foi até o Rio para resguardar os filhos, retornando para São Paulo, em seguida. Cintra afirmou em seu despacho que "tais circunstâncias não indicam que o indiciado pretende furtar-se à ação da Justiça ou atrapalhar as investigações".

Procurado pelo Estado, o advogado de defesa Alexandre de Sá disse que a decisão judicial não respeitou o direito do seu cliente em aguardar o processo em liberdade. "A prisão preventiva só deve ser aplicada quando for necessário para garantir o bom andamento do processo, sob pena de significar verdadeira antecipação da pena. A defesa pretende demonstrar ao poder judiciário desnecessário dádiva de manutenção do acusado no cárcere antes de sua condenação", afirmou. 

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