Três universos em uma noite no Rock in Rio

Shakira, Ivete Sangalo e Lenny Kravitz sintetizam formas de fazer shows para multidões. Adivinha quem se deu melhor?

JOTABÊ MEDEIROS , ENVIADO ESPECIAL AO RIO, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2011 | 03h02

Entertainers de três mundos, a colombiana Shakira, o norte-americano Lenny Kravitz e a brasileira Ivete Sangalo foram os destaques da quinta noite do Rock in Rio, na madrugada de ontem. Eles evidenciaram uma curiosa inversão de papéis no show biz mundial: Lenny, rock star de butique, sonha em ser brasileiro (até comprou fazenda no Rio e já toma cachaça em boteco); Ivete quer ser diva de vaudeville europeu, quer ser uma Josephine Baker do Pelourinho; e Shakira, como Carmen Miranda, saiu de Barranquilla para conquistar o mundo e voltou americanizada..

Frutos da globalização das plateias e de uma certa confusão midiática, eles tateiam com seus brechós ambulantes em busca de multidões. Loucos, loucos, loucos, mas não emocionantes.

A grande atração da noite era Shakira, a última a se apresentar. "Estou aqui para satisfazer vocês", disse a cantora (sempre em português quase perfeito). Shakira é a primeira grande ambição loira latino-americana, e quando chega já encontra um público dominado. Satisfazer era a palavra-chave, mais do que instigar e desafiar, como pede a grande arte. Shakira vai da cumbia à África (Waka Waka), do heavy metal (cantando Nothing Else Matters, do Metallica) à dança do ventre e à eletrônica de shopping center. E em nada disso ela deixa mais do que uma sensação de esgotamento físico.

Ao se juntarem, cantando País Tropical, de Jorge Benjor, Shakira e Ivete empunhavam a bandeira da amizade, da solidariedade, mas suas palavras e seus gestos traíam uma disputa de território. Shakira convidou Ivete, dizendo que esta representava o coração do Brasil. "Tira o pé do chão, Shakira", ordenava Ivete, quase um barítono perto do trinado falseado da cantora colombiana, e dominava a cena, como aquelas comédias de filme mudo em que o artista empurra o outro com as nádegas para fora do tablado.

A força de dominação de Ivete Sangalo é impressionante. Ninguém até agora coordenou a vontade da multidão como ela fez, nem o Metallica. É a mais bem sucedida, comercialmente, cantora do País. No seu show, entretanto, revelou que seu foco mudou, a maternidade tirou seus pés do chão e quase chorou ao falar do filho.

Ao final e ao cabo, o duelo no twitter na madrugada de ontem era para definir qual show foi mais frustrante: Lenny Kravitz e seu funk de butique ou Shakira e sua ginga latino-americana de laboratório. Como diriam naquele antigo programa de TV: você decide.

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