Três tanques de combustíveis ainda pegam fogo em Santos

Previsão dos Bombeiros é de que o incêndio continue ainda por três dias, até que o material nos tanques seja consumido pelo fogo

Luiz Alexandre Souza Ventura, Especial para O Estado

03 Abril 2015 | 11h49

SANTOS - O Corpo de Bombeiros decidiu combater efetivamente o fogo que atinge, há mais de 24 horas, tonéis da empresa Ultracargo, em Santos, litoral sul de São Paulo. Desde o começo do incêndio, às 10h desta quinta-feira, 2, as equipes tentavam apenas resfriar a área, uma vez que a extinção das chamas era impossível porque os tanques armazenam milhões de litros de combustível (etanol e gasolina). Os trabalhos ainda podem durar três dias.

Mais uma explosão foi registrada na manhã desta sexta-feira, 3. Na região do incidente, houve chuva de cinzas, sujando carros e roupas. Segundo especialistas, não se trata de resíduo tóxico, mas de algo parecido com carvão. De qualquer forma, há recomendação para que as pessoas evitem exposição ao material.

Neste momento, três tanques estão pegando fogo, com labaredas de vários metros de altura. A coluna de fumaça é vista à muita distância. Em vários pontos das cidades de Santos e São Vicente é possível sentir cheio de queimado. No começo da noite dessa quinta, um dos quatro tanques desabou e o combustível ficou espalhado, dificultando ainda mais a contenção das chamas.

Ao menos 80 homens do Corpo de Bombeiros trabalham no local, com 22 viaturas, em uso ininterrupto de água e uma espuma especial nas áreas externas dos tanques atingidos pelo incêndio. A temperatura ainda é muito elevada, perto de 800 graus, o que provoca a evaporação da água antes que ela atinja os tonéis. 

De acordo com a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), o movimento de navios no canal do estuário permanece interrompido no local do incêndio. Apenas a embarcação Governador Fleury, que pertence ao Corpo de Bombeiros, está no cais, de onde permanece bombeando água do mar para os caminhões tanques. Os cinco navios removidos da área pela Praticagem continuam na Barra de Santos, aguardando atualização para retornar. A Codesp reforça que o Porto de Santos funciona normalmente.

Cruzeiros. Houve alteração no horário de check-in dos passageiros do navio MS Empress, da Pullmantur, que acabaria às 15h30 desta sexta-feira, 3, e foi ampliado até 17h30. A providência pretende evitar que as dificuldades para chegar ao terminal provoques atrasos ou prejudiquem os turistas. Segundo o Concais, 90% dos 1.600 ocupantes são de outras regiões. O acesso para o Porto pelo Viaduto da Alemoa, no km 62 da Rodovia Anchieta, permanece fechado.

Estradas. O Sistema Anchieta-Imigrantes funciona em esquema 7x3, com todas as pistas da Via Anchieta e a pista sul da Rodovia dos Imigrantes para descida ao litoral. A subida é feita somente pela pista norte da Imigrantes. De acordo com a concessionária Ecovias, há lentidão neste momento na Anchieta, entre do km 62 ao 65, na chegada a Santos. Na Imigrantes, o motorista encontra 10 quilômetros de congestionamento no começo do trecho, na região de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, do km 43 ao 53. No sentido oposto, não há problemas.

Hospital. O bombeiro Claudio Rodrigues Gonçalves, de 39 anos, foi atingido no olho por uma fagulha e precisou ser levado ao Pronto Socorro Central de Santos, para avaliação oftalmológica. A situação do paciente é estável. A Prefeitura de Santos informou que o SAMU atendeu 15 pessoas no local, todos homens com superaquecimento. "Não é queimadura. Isso acontece porque as vítimas são funcionários da área industrial da Alemoa, usam roupas pesadas, sofrem alterações na pressão arterial e aumento na temperatura corporal", diz a administração santista. Ainda conforme a Prefeitura, crises nervosas e inalação de fumaça também foram registradas nos pacientes. Todos foram atendidos no local e liberados. No Pronto-Socorro Central de Santos, três pessoas com crises nervosas foram medicadas e liberadas.

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