Três são condenados por executar psicóloga

Penas chegam a 25 anos; Renata Novaes Pinto teria sido morta a mando de marido de paciente

MARCELO GODOY, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2011 | 03h03

Quase três anos depois do crime, o 5.º Tribunal do Júri de São Paulo condenou ontem a penas de até 25 anos de prisão três dos quatro acusados de assassinar a psicóloga Renata Novaes Pinto. Ex-professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Renata foi morta com três tiros na cabeça na frente de casa, quando se preparava para levar os filhos à escola. O crime aconteceu em 6 de novembro de 2008, na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo.

Cabe recurso da decisão mas, segundo a sentença do juiz Emanuel Brandão Filho, em razão "da quantidade da pena imposta, das circunstâncias desfavoráveis e da hediondez do delito contra a vida o regime de cumprimento das penas será o fechado". Os réus também não poderão apelar em liberdade.

Agora falta julgar um quarto acusado: o ex-sargento da Polícia Militar Claudemir Macário dos Santos, de 59 anos. Ele teria procurado os três réus para que o crime fosse executado. Foram eles que foram julgados ontem. A polícia ainda não tem provas contra quem teria sido o mandante do assassinato da psicóloga. Suspeita-se que os réus tenham sido contratados pelo ex-marido de uma paciente de Renata. O homem - até hoje não identificado - culparia a vítima pela separação do casal.

O primeiro dos acusados a ser condenado ontem foi João Nilton da Silva Moreira, de 34 anos. Ele recebeu a pena maior: 25 anos e 8 meses de prisão. Isso porque os jurados decidiram que ele foi o autor dos tiros contra a psicóloga. O júri reconheceu que Moreira agiu por motivo torpe - recebeu R$ 5 mil pela execução - e não deu chance de defesa para a vítima.

O segundo condenado foi Claudemir Rossi Marques, de 31 anos. Os jurados concluíram que ele levou Moreira em sua motocicleta até a Vila Madalena para que o comparsa atirasse na psicóloga. Marques teria recebido R$ 2 mil para ajudar no assassinato. Por isso, o juiz fixou sua pena em 22 anos e 4 meses de prisão.

O dinheiro para os dois executores teria sido entregue pelo terceiro réu condenado: José Neudes, de 34 anos. Ele teria contratado os dois acusados a pedido do ex-sargento para executar a vítima. Sua pena foi de 23 anos.

Quadrilha. O julgamento dos acusados durou 15 horas e acabou às 2h20 de ontem. Durante o inquérito, só o ex-PM negou ter participado do crime. Os demais acusados confessaram a participação no assassinato e acusaram o ex-policial. O esclarecimento do crime aconteceu oito meses depois da morte de Renata, depois que Marques foi preso por outro assassinato.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.