Três postes impedem funcionamento do Terminal Pinheiros

Secretário de Transportes diz que Eletropaulo está cobrando R$ 800 mil para removê-los da rua

BRUNO RIBEIRO, CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2013 | 02h05

Inaugurado pelo então prefeito Gilberto Kassab (PSD) no fim de dezembro em uma cerimônia apenas simbólica, o Terminal Pinheiros da São Paulo Transporte (SPTrans), na zona oeste, ainda não funciona por causa de três postes de energia que ficaram no meio da Rua Sumidouro. É o que afirmou em entrevista para o Estado o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto.

Segundo ele, a demora na retirada das estruturas se deve a negociações entre a AES Eletropaulo, responsável pelas vigas, e a empresa municipal São Paulo Obras (SPObras), encarregada da construção do empreendimento. A Eletropaulo, diz Tatto, orçou o serviço em R$ 800 mil. O terminal custou R$ 146 milhões.

"Tem uma parte de tecnologia de controle do terminal que eu já autorizei a fazer e outras coisas menores. Mas o principal é isso. Pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), não dá para passar o ônibus, porque cria um transtorno lá. Então, quando tirar, inauguramos", afirmou o secretário. "Para nós, já estamos prontos. É um terminal importante e que precisamos colocar em operação.

Mas a data para a remoção dos postes e a liberação do entorno do terminal provocou informações desencontradas entre a Eletropaulo e SPObras. Em nota, a concessionária de energia contestou o valor do serviço e a posição dos postes problemáticos.

Segundo a empresa, o "valor de R$ 800 mil, mencionado pela Prefeitura, é referente à remoção das redes das operadoras de telecomunicação e TV a cabo". A concessionária disse ainda que "recebe este valor do município e repassa para essas empresas" e que o custo da Eletropaulo "para remoção dos postes é de R$ 24 mil e já foi pago pela Prefeitura".

Ainda na nota, a companhia informou que os postes ficam na Rua Butantã, e não na Sumidouro, e que a remoção está prevista só para 24 de março.

Por outro lado, a SPObras garantiu que o serviço será feito já neste fim de semana, mas sem detalhar se hoje ou amanhã.

Na avaliação do arquiteto Flamínio Fichmann, consultor de Transportes, que participou do projeto da Linha 4-Amarela de metrô, que será ligada ao novo terminal, a demora da entrega por um problema assim é injustificável. "Isso causa um transtorno grande. Em relação a remanejamentos de postes, acho que a Eletropaulo está devendo há um bom tempo. Deveriam dar prioridade em virtude de uma obra desse porte. Lamentável."

Na chuva. Quem precisava pegar ônibus perto do futuro terminal ontem à tarde se queixou da demora para a entrega. "Eu economizaria meia hora para chegar ao trabalho se conseguisse embarcar no ônibus aqui do lado do metrô", disse a ajudante de cozinha Neide Santos, de 42 anos, ao sair da Estação Pinheiros. A aposentada Dorotéa Queiroz, de 84 anos, mora na região e reclamou da situação dos coletivos nas imediações. "O pessoal está todo perdido, porque os pontos finais estão espalhados pelas ruas. E neles não tem banheiros para os motoristas nem cobertura para os passageiros, que, às vezes, esperam na chuva. Achei pior do que gambiarra."

Quando estiver pronto, o terminal absorverá 26 linhas de ônibus, beneficiando cerca de 80 mil pessoas por dia. No subsolo haverá uma garagem para 460 veículos. Além da ligação com a estação de metrô, também há uma parada de trem na região.

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