Três policiais 'ninjas' são presos por mortes na Baixada

Três policiais militares acusados de participar de um grupo de extermínio na Baixada Santista foram presos ontem à noite e levados à Corregedoria. O grupo "Ninjas da PM" é apontado como responsável pela matança de abril no litoral paulista. Outros dois policiais também foram identificados e deviam ser presos ainda na madrugada de hoje. A prisão dos suspeitos só foi possível depois que três civis foram detidos à tarde, no Guarujá. Um deles delatou a participação de cinco PMs nos homicídios.

Leandro Calixto, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2010 | 00h00

Os crimes no litoral sul envolveram a morte de 23 pessoas em apenas oito dias: de 18 a 26 de abril. A suposta participação de PMs foi revelada pelo Jornal da Tarde. A demora na apuração dos assassinatos motivou o governo a trocar o comando da Corregedoria da PM. O coronel Admir Gervásio Moreira assumiu no lugar de Davi Nelson Rosolen na semana passada.

"Existe uma forte suspeita da participação de policiais militares nos crimes da Baixada Santista. Aproveitamos um regimento interno e decretamos a prisão disciplinar desses policiais suspeitos. Isso nos dá mais tranquilidade para seguirmos as investigações", disse o major da Corregedoria da Polícia Militar Marcelo Nagy.

Os nomes dos detidos não foram divulgados. A reportagem apurou que os três policiais presos fazem parte do 24.º Batalhão (Diadema), do 40.º Batalhão (Santo André) e do 21.º Batalhão (Guarujá). Os outros dois, que não haviam sido detidos até as 23 horas de ontem, também eram do mesmo batalhão do Guarujá. Os cinco suspeitos moram na Baixada Santista. A prisão temporária começou a ter efeito legal a partir de hoje.

Prisões. Na manhã de ontem, três homens foram presos pela polícia do Guarujá. Eles estavam com dois revólveres ilegais e munições. Um deles teria delatado os policiais supostamente envolvidos nos crimes da Baixada.

Os assassinatos teriam começado depois que o policial da Força Tática Paulo Raphael Pires, de 27 anos, foi morto a mando de um traficante. Conhecido pelo seu estilo duro, o policial perseguia criminosos na Baixada. No mesmo dia, policiais que fariam parte de um grupo de extermínio teriam feito um juramento para vingar a morte do soldado.

Levantamento feito pelo Jornal da Tarde mostrou que, de 18 vítimas das execuções, dez já haviam sido presas anteriormente pela polícia.

Guarulhos. O policial militar Deoclécio Onofre Souza foi detido ontem sob a acusação de assassinar o soldado Emerson Barbosa Santos. A vítima trabalhava nas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). A mulher dele, Renata Gomes de Oliveira Santos, e Lúcio Flávio Moreira Santos também tiveram a prisão decretada por suspeita de participação no crime. Souza foi preso no 15.º Batalhão, em Guarulhos. Ele trabalhou na Rota até 2006. O crime, diz a Promotoria, foi motivado por uma briga. Souza é suspeito de integrar um grupo de policiais ladrões de carga e acusados de homicídio. / COLABORARAM BRUNO TAVARES E MARCELO GODOY

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.