Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Três PMs de São Gonçalo têm a prisão decretada por execução de juíza

Acusados receberam a informação de que Patricia Acioli ordenaria a prisão deles; decidiram, então, segui-la na saída do Fórum e matá-la

Tiago Rogero / RIO, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2011 | 00h00

Três policiais militares suspeitos do assassinato da juíza Patrícia Acioli tiveram as prisões temporárias decretadas anteontem, um mês após a morte da magistrada, pelo juiz de plantão do 2.º Núcleo Regional (Niterói). O tenente Daniel dos Santos Benitez e os cabos Sergio Costa Junior e Jefferson Araújo Miranda trabalhavam no Grupo de Ações Táticas do 7.º BPM, em São Gonçalo, cidade onde Patrícia comandava a 4.ª Vara Criminal.

  Veja também:

link Estado ainda lidera em autos de resistência e letalidade policial

link Para família, há mais militares envolvidos

Os PMs foram indiciados por homicídio duplamente qualificado. Todos já estão presos, mas por outro crime: o assassinato de Diego da Conceição Beliene, de 18 anos. As prisões foram decretadas por Patrícia poucas horas antes de morrer.

Benitez, Júnior, Miranda, outros dois PMs e três bombeiros foram denunciados pela morte do rapaz, em 3 de junho, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. Segundo o Ministério Público (MP-RJ), após executarem Diego, os denunciados desfizeram o local do crime e registraram o caso como auto de resistência - morte de suspeito em confronto com a polícia. Os dois executores - os PMs Carlos Maciel e Sammy dos Santos - tiveram as prisões preventivas decretadas em 16 de junho. Os demais envolvidos permaneceram em liberdade.

Reconhecimento. Segundo o chefe da Divisão de Homicídios, delegado Felipe Ettore, a advogada de um dos três PMs suspeitos da morte de Patrícia recebeu da juíza a informação de que eles poderiam também ser presos. Um mês antes do assassinato, os policiais fizeram um reconhecimento da casa da vítima, no bairro Piratininga, em Niterói, usando uma viatura sem GPS do batalhão da cidade, o 12.º BPM.

Em 10 de agosto - um dia antes da morte de Patrícia -, o MP-RJ encaminhou nova denúncia pedindo as prisões de todos os envolvidos na morte de Diego. Mais uma vez avisados pela advogada, que não teve o nome revelado, os três PMs decidiram executar Patrícia, na esperança de que os decretos não fossem expedidos. "Junior e o tenente (Benitez) foram até o Fórum, seguiram Patrícia até sua casa e a executaram. Para eles, tinha de ser naquele dia, mas não sabiam que a decisão já havia sido tomada", afirmou Ettore.

Como Patrícia expediu os mandados, os três foram presos no sábado, um dia após o enterro da juíza. Eles estão detidos na Unidade Prisional da PM. O delegado Ettore não quis informar qual a participação do cabo Miranda no crime, "para não atrapalhar as investigações". Apesar de estar na ativa na época do crime, o militar responde a outros três processos por homicídio. Em 30 dias, deve ser concluído o inquérito sobre a morte de Patrícia.

"A munição usada no crime é da Polícia Militar, do 7.º BPM", disse o delegado. Todas as pistolas calibre .40 e .45 do batalhão, e revólveres calibre 38 foram recolhidos ontem. O armamento, segundo o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, foi substituído para que a segurança não fique prejudicada.

Queixa. A decretação não satisfez a família da vítima (veja ao lado). Na avaliação do advogado Técio Lins e Silva, Patrícia não teria sido morta se continuasse com escolta policial. Já o presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), desembargador Manoel Alberto Rebêlo dos Santos, disse que a ausência de escolta não interferiu na morte de Patrícia. Ela não contava com proteção policial desde julho de 2007.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.