Três perguntas para...

Antonio Jacintho, PSIQUIATRA E PROFESSOR DA UNICAMP

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2011 | 00h00

1. Como tratar as crianças e os adultos que presenciaram esse episódio?

Primeiramente é dar espaço para a experiência do luto. Nós fazemos funeral, enterro, missa de sétimo dia, tudo para ter um tempo para elaborar a dor da perda. Mas dá trabalho, e também pode demandar ajuda psicológica ou psiquiátrica não apenas para a criança como para os pais e professores, ou seja, a escola em geral.

2. Todas as crianças vão reagir da mesma maneira?

Algumas crianças vão adoecer mais que outras, depende da personalidade prévia de cada uma. A criança que já tem quadro depressivo, alguma fobia ou outro tipo de transtorno mental certamente estará mais vulnerável. A rede de apoio familiar influencia muito nesse momento. Se o garoto ou garota vive em condições precárias, não conheceu o pai ou a mãe é ausente, também fica mais suscetível.

3. Qual o sentimento que deve prevalecer entre os sobreviventes?

Além da perda, quem sobrevive normalmente lida com o ônus da culpa. É a ideia de que "eu sobrevivi em detrimento do outro", "a bala que não me matou matou meu colega", "eu não morri porque fui ao banheiro". Essa culpa eles vão ter de receber ajuda para elaborar.

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