TRÊS PERGUNTAS PARA... Horácio Augusto Figueira, mestre em Transportes pela Universidade de São Paulo

1. O número de multas é expressivo?

O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2012 | 03h02

Se dividirmos as 261 mil infrações registradas nos últimos 350 dias, chegamos a uma multa por minuto. E isso na cidade inteira, supondo que a CET trabalhe também aos sábados e domingos. Aposto que, se eu for para qualquer cruzamento com semáforo da cidade, conseguirei anotar mais de uma infração de (falta do uso de) seta por minuto, por cruzamento. Imagine multiplicar isso pelos sete mil cruzamentos com semáforos da capital? Vai para o infinito. Então, pode parecer muito o que a CET multou, mas a ponta do iceberg está sendo apenas arranhada. Esse número teria de ser muito maior para que as pessoas começassem a perceber a fiscalização para valer.

2. Como mudar isso?

Eles (os agentes) têm de sair dos mesmos locais. Se eu ficar todo dia na mesma esquina, vou pegar os mesmos motoristas. Isso é um problema de amostra viciada. Quem mora, trabalha e compra ali são sempre as mesmas pessoas, principalmente nos bairros. Ou seja, a partir de um momento, o número de multas chega até a cair. Por quê? Porque o motorista já vai saber que é fiscalizado. Mas, nos outros locais da cidade, não tem (fiscalização) e lá ele se comporta de outro jeito, sem respeitar regras. Por isso, eu proponho amostras aleatórias (em diferentes pontos da cidade). Na cidade de São Paulo, ocorrem milhões de infrações por dia. Esse número de autuações, portanto, não me sensibiliza.

3. E o horário em que a fiscalização é feita?

Das 18h às 24h, em dias úteis, é o período em que mais são registrados acidentes com mortes. E é justamente o momento em que a CET e a Polícia Militar tiram seus times de campo. É preciso haver fiscalização nesses horários.

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