Três imagens sacras do século 17 são furtadas de igreja em MG

Polícia desconfia de grupo que se identificou como jornalistas e fotografaram as peças uma semana antes

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2008 | 17h02

Três imagens sacras do século 17 foram furtadas na madrugada de segunda-feira da Matriz de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em Matias Cardoso, no norte de Minas, a 680 quilômetros de Belo Horizonte. As imagens furtadas - Sant'Anna Mestra, Nossa Senhora do Bonsucesso e São Miguel, esculpidas em madeira policromada - foram identificadas nesta terça, 5. A princípio, a polícia desconfia de um grupo que se identificou como jornalistas e fotografou as imagens uma semana antes. As peças estavam em dois oratórios do templo, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O pároco da matriz, Adailton Oliveira Costa, disse que os objetos sacros são de origem portuguesa, da mesma época de inauguração da igreja, erguida provavelmente entre 1670 e 1673, segundo o Iphan.  O diretor da regional em Diamantina, Junno Marins da Matta, e técnicos do instituto se deslocaram para Matias Cardoso e realizaram uma vistoria na igreja. O relatório será encaminhado para a Polícia Federal e Polícia Civil mineira. De acordo com o Iphan, a ocorrência será encaminhada também para a Associação Brasileira de Antiquários com o objetivo de coibir eventual comercialização ilegal das peças. O furto foi descoberto na manhã de segunda pelo zelador José Luiz Pereira de Oliveira. Ele chegou à matriz por volta de 9h30 e encontrou uma porta arrombada e outra aberta. Uma chave de fenda - possivelmente usada para arrombar a porta de madeira - foi encontrada o interior da igreja. A Polícia Civil realizou perícia no local. O Ministério Público Estadual (MPE) estima que Minas já perdeu aproximadamente 60% do seu patrimônio cultural sacro. A maioria dos furtos e roubos, conforme a Promotoria de Defesa do Patrimônio Histórico, é feita por encomenda.  Na semana passada, durante a Operação Pau-Oco II, foram apreendidas 37 peças - a maioria objetos sacros - em uma residência e em antiquários de Belo Horizonte e na cidade histórica de Ouro Preto, todas suspeitas de terem sido ilegalmente comercializadas. O MPE possui um banco de dados com cerca de 600 bens culturais desaparecidos cadastrados.  Construída em forma de fortaleza, a matriz de Matias Cardoso reivindica o título de mais antiga igreja de Minas Gerais. O templo é caracterizado pelo interior simples, com altares destituídos das características barrocas das principais igrejas históricas do Estado. A igreja foi tombada pelo Iphan em 19 de março de 1954.

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