Três crianças são baleadas em Santos

Meninas brincavam na rua quando adolescente disparou contra elas após discussão com bicheiro. Elas passam bem

RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2011 | 03h04

Três meninas com idade entre 8 e 13 anos foram baleadas na tarde de anteontem enquanto brincavam na rua em Santos, no litoral paulista. Elas foram atingidas por disparos feitos por um adolescente de 16 anos, segundo a polícia, após discussão dele com um morador do bairro Jardim Bom Retiro, na entrada da cidade, onde moram as crianças.

As meninas foram medicadas, passam bem e já estão em casa, em recuperação dos ferimentos.

O incidente aconteceu por volta das 17h30 de quarta-feira. Quatro crianças estavam sentadas em um banco de concreto localizado na frente de uma casa do Bom Retiro quando um grupo de adolescentes parou na frente do portão. De acordo com o relato das famílias, os jovens esperaram até o proprietário da residência chegar - identificado pela polícia como Amaro Gomes de Oliveira Neto, de 50 anos - e começaram a discutir com ele.

Um dos adolescentes, segundo as mães das crianças, perdeu a paciência na conversa com Oliveira Neto e deliberadamente teria atirado nas três meninas, enquanto o morador correu para dentro de casa.

"Ainda não sabemos as razões da discussão ou dos disparos, mas recebemos a informação de que o jovem que atirou tem cerca de 16 anos e é conhecido como Sebo, morador de uma favela próxima do local", afirma o delegado titular do 5.º Distrito Policial de Santos, Flávio Máximo.

Oliveira Neto, porém, negou ter mantido conversas com os adolescentes em seu depoimento na delegacia. Na sua versão, ele chegava em casa quando, sem mais nem menos, o adolescente sacou a arma e começou a atirar. "Ele provavelmente está mentindo. Perguntamos várias coisas e não respondia coisa com coisa. Vai ter de se explicar melhor", diz Máximo.

Moradores do bairro afirmam que Oliveira Neto, que não teria nenhum parentesco com as crianças baleadas, é bicheiro e trabalha todo dia em um bar próximo da rua onde mora, no pé de uma favela conhecida como Caminho da Capela. A reportagem o procurou no local e o encontrou sentado em uma mesa anotando apostas de clientes. Ao ser abordado, ele não quis dar entrevista e se retirou do bar.

Das três crianças atingidas, duas foram baleadas de raspão e outra está com a bala alojada no punho esquerdo - ela vai passar por cirurgia para retirar o projétil.

As famílias dizem que ainda estão em choque e não sabem o que fazer para que as crianças voltem a brincar em paz na rua do bairro santista.

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