Três anos após acidente da TAM, parentes criticam PF

Familiares das vítimas do voo 3054, que deixou 199 mortos, realizaram ontem protesto em Congonhas

Elvis Pereira, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2010 | 00h00

Familiares de vítimas do voo 3054 da TAM criticaram ontem a investigação da Polícia Federal sobre o acidente ocorrido há três anos no Aeroporto de Congonhas. Eles defenderam os conclusões da Polícia Civil paulista, que indiciou 10 pessoas, entre funcionários e dirigentes da Agência Nacional de Avião Civil (Anac), da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e da TAM. A PF culpa apenas os dois pilotos.

"O relatório da PF é totalmente equivocado", afirmou o jornalista Roberto Corrêa Gomes, cujo irmão, Mário, estava entre as 199 vítimas do desastre. "É fácil culpar quem já se foi", completou o empresário José Roberto Silva. A filha dele, Madalena, era comissária da TAM. "Discordo da posição de que os pilotos foram os culpados. A posição das manetes foi o fim da tragédia, não o início", assinalou o advogado Ronaldo Marzagão, que defende os integrantes da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo TAM JJ 3054 (Afavitam). Marzagão estava entre as dezenas de pessoas que ontem prestaram homenagens às vítimas no terreno da antiga empresa de cargas da TAM, em frente à cabeceira da pista do aeroporto, na zona sul da capital. Pretende-se construir no local o Memorial 17 de julho, em referência à data do acidente.

Antes da homenagem, amigos e parentes das vítimas fizeram um protesto no saguão do aeroporto. Depois, caminharam até a área do futuro memorial e colaram fotos nos tapumes que cercam o terreno.

Os inquéritos da polícias Civil e Federal estão sendo analisados pelo procurador Rodrigo De Grandis. A expectativa dele é examinar a documentação até o fim deste ano e decidir se oferece ou não denúncia sobre o caso.

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