Três adolescentes narram ocupação pelo Twitter

Nas primeiras horas da manhã de ontem, três jovens de 13 a 17 anos se mantinham atentos a cada movimento das forças de segurança que se preparavam para tomar o Complexo do Alemão. Moradores das favelas que fazem parte do conjunto, Rene Silva, Jackson Alves e Igor Santos foram as primeiras testemunhas a relatar o sobrevoo dos helicópteros e o início da troca de tiros que marcou a ocupação do território dominado por traficantes.

Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2010 | 00h00

"07:59 - Helicóptero da polícia já está rodando na comunidade e há muitos tiros neste momento!", relataram os estudantes, que usaram a conta @vozdacomunidade no Twitter para divulgar as informações em tempo real. "É GUERRA mesmo! Muitos tiros!", acrescentaram, poucos minutos depois.

Aos 17 anos, Rene é o responsável por um jornal mensal dedicado ao noticiário sobre o Morro do Adeus, onde vive. Nos dias que antecederam a ação policial no complexo, o estudante dedicou boa parte de suas horas a publicar informações sobre tiroteios e conflitos. "Das minhas últimas 24 horas, dediquei 20 ao Twitter! Eu fico em casa o dia inteiro e, quando ouço o suspiro de um tiro, logo vou tuitar. Conseguimos dar informações sempre em primeiro lugar", contou Rene ao Estado ontem à tarde.

Vizinhos. Rene, Jackson e Igor acompanham o sobrevoo de helicópteros pelas janelas, ouvem os sons dos tiroteios e acompanham o movimento das tropas. Eles também recebem informações de vizinhos e amigos em diferentes pontos do Complexo do Alemão, contando com uma extensa rede de informações.

O trabalho dos estudantes ganhou destaque no Twitter, onde suas informações foram reproduzidas por repórteres, moradores e líderes comunitários. Em dois dias, o número de seguidores do perfil @vozdacomunidade na rede social passou de 180 para mais de 18 mil.

"Em um momento de conflito, foi necessário e oportuno dar voz à comunidade pela internet", avaliou Rene.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.