Trens da Barra Funda à Luz voltam a circular

Transporte por 2 linhas da CPTM havia sido suspenso no dia 22, após incêndio em favela

ADRIANA FERRAZ , FELIPE TAU, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2012 | 03h03

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) volta a operar hoje nos trechos entre as Estações Barra Funda e Luz, na Linha 7-Rubi, e Barra Funda e Júlio Prestes, na Linha 8-Diamante. Os trens circularão a partir das 6 horas. A normalização foi possível porque a área bloqueada desde 22 de dezembro por causa de um incêndio na Favela do Moinho, colada ao muro da linha do trem, foi liberada para limpeza às 23 horas de ontem.

Segundo afirmou o prefeito Gilberto Kassab (PSD), o prédio destruído pelo fogo e parcialmente demolido nos últimos dois dias já não corre risco de desabar com a trepidação provocada pela circulação dos trens. Duas pessoas morreram no incêndio.

Ontem, três tratores começaram o trabalho de demolição mecânica do edifício. No domingo, a implosão realizada no imóvel só derrubou dois dos seis andares. Segundo Kassab, no entanto, tudo saiu conforme o planejado. "Nossa prioridade sempre foi restabelecer o funcionamento das linhas o mais rápido possível, não demolir o prédio", disse.

Mas a circulação dos trens nos dois trechos começará com duas horas de atraso - as linhas da CPTM são abertas às 4h. A demora, segundo a Prefeitura, está relacionada ao período necessário para fazer a limpeza. "O serviço dura pelo menos seis horas."

Ontem, na volta do recesso de fim de ano, a interdição parcial das linhas da CPTM atrasou o deslocamento de usuários que iam para o trabalho ou voltavam de viagem. Eles tiveram de usar a Linha 1- Vermelha, do Metrô, como alternativa e foram forçados a fazer novas baldeações. Os passageiros da Linha 7 gastavam cerca de 15 minutos a mais para chegar ao centro e à zona leste da capital.

A doméstica Eutésia Ramos da Conceição, de 45 anos, saiu às 6h50 da Estação Jaraguá da Linha 7-Rubi e pretendia chegar à Estação Belém às 7h30. Nesse horário, no entanto, ainda estava embarcando no metrô na Barra Funda. "Ficou mais complicado." A estudante Eleandra de Sousa Antunes, de 29, também teve o caminho prolongado. Saindo do Terminal Rodoviário do Tietê, onde desembarcou de viagem, ela fazia nove paradas. Ontem, teve de enfrentar 14. "Estou perdida com essas mudanças, não costumo usar o metrô."

A CPTM ofereceu ônibus gratuitos nas Estações Barra Funda, Luz e Júlio Prestes para fazer o trajeto dos trens ontem. O mesmo será feito hoje, até as 6h. A empresa afirmou que, apesar dos contratempos, o sistema conseguiu atender à demanda de passageiros que seguiam em direção à Luz.

Parque. A Prefeitura estima que em 15 dias será possível finalizar a demolição do antigo moinho e, em até três meses, liberar totalmente a área, após recolher o entulho, que deve ser reciclado e usado como pavimento na cidade - assim como ocorreu com o material que restou do Edifício São Vito, demolido no ano passado na região central.

Kassab planeja remover todas as famílias que moram na favela e fazer um parque no local. Durante o incêndio, 368 barracos foram destruídos pelo fogo, deixando 1,5 mil desabrigados. De acordo com a Secretaria Municipal de Habitação, as famílias atingidas foram cadastradas e receberão bolsa-aluguel no valor de R$ 1.200 por quatro meses.

Ontem, o prefeito afirmou que a Sehab já avalia três terrenos na região que poderão ser usados para a construção de unidades habitacionais.

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