Trens batem em SP e 38 ficam feridos

Em sete meses, é a 3ª colisão em ferrovia na Região Metropolitana causada por falha humana, segundo a Secretaria dos Transportes

FELIPE TAU / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2012 | 03h06

Uma locomotiva de serviço e um trem de passageiros da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) se chocaram, às 8h50 de ontem, na Estação Vila Clarice da Linha 7-Rubi (Luz-Francisco Morato), na zona norte de São Paulo. O acidente deixou 38 feridos e causou a interdição da via no sentido capital por 2h20. A locomotiva de serviço bateu na traseira do trem no momento em que parava na estação para embarque e desembarque de passageiros.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, duas vítimas - a maquinista da locomotiva e um passageiro do trem - estavam em estado mais grave, com traumatismo craniano. Eles foram atendidos inconscientes e encaminhadas para hospitais da região. Até as 20 horas de ontem, as Secretarias Estadual e Municipal de Saúde não informaram se eles haviam tido alta, mas afirmaram que nenhuma vítima corria risco de morte.

Dez viaturas e 30 socorristas do Corpo de Bombeiros chegaram ao local às 9h30 para prestar resgate às vítimas, além de viaturas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Os trens que iam para a Luz, no centro de São Paulo, tiveram de compartilhar um único trilho com os que seguiam no sentido interior do Estado.

Essa colisão se trata do terceiro acidente entre trens da CPTM em pouco mais de sete meses na Região Metropolitana de São Paulo. Para todos os acidentes o secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, deu a mesma explicação: falha humana.

"Mais uma vez, felizmente, não houve falha de sinalização, falha técnica. Houve falha humana", afirmou Fernandes, que visitou o local após o acidente.

Segundo o secretário, o resultado da sindicância para apurar a causa da colisão sairá amanhã. Ele adiantou, porém, que deve ter havido "dupla falha humana", uma vez que a maquinista teve autorização do Centro de Controle Operacional (CCO) da CPTM para trafegar na via onde ocorreu a batida. "Nós já temos fortes indícios do que aconteceu. Não foi um erro solitário", disse Fernandes. A maquinista, que não teve o nome nem a idade divulgados, trabalha na CPTM desde 1998.

Explicações. O promotor de Habitação e Urbanismo do Ministério Público de São Paulo Maurício Antônio Ribeiro Lopes enviou ontem pedido à presidência da CPTM para que esclareça a causa de todos os acidentes recentes da companhia. Segundo o promotor, após a análise dos documentos ele decidirá se abre um inquérito civil e um eventual processo contra a CPTM

"Quero avaliar se houve falha de seleção, de treinamento ou de acompanhamento dos funcionários", disse Lopes. "Eu tenho a impressão de que quando a CPTM menciona falha humana, quer se isentar de responsabilidade maior."

A CPTM tem 20 dias, a contar de ontem, para prestar esclarecimentos. A requisição, segundo o promotor, pode dar origem a um inquérito civil, que resultaria em um processo ou em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), para que a companhia resolva as eventuais falhas.

A CPTM informou, em nota, que seus sistemas são "absolutamente seguros" e seus técnicos, "devidamente habilitados".

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