Tremores vão voltar e falta estrutura para plano de emergência

Especialistas tentam identificar maiores riscos para evitar mortes em caso de novas ocorrências de terremoto

BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2012 | 03h02

Apesar do medo causado na população de Montes Claros pelos tremores dos últimos dias, um fato pode ser ainda mais assustador: esse tipo de fenômeno tem grande chance de ocorrer novamente e não há como prevê-los. A avaliação é da subchefe do Observatório Sismológico (Obsis) da Universidade de Brasília (UnB), professora Mônica Von Huelsen, que chegou a Montes Claros com uma equipe para instalar cinco sismógrafos no entorno da cidade para tentar identificar com precisão os abalos.

"Esse tremor não foi o primeiro nem será o último, mas tremores fracos e moderados não vão destruir construções boas", disse a professora, referindo-se ao abalo ocorrido em Montes Claros. Mônica observou que os sismos registrados em seguida provavelmente são abalos secundários - ou réplicas -, que normalmente indicam uma acomodação do solo. "Pelo nosso monitoramento, são secundários porque estão diminuindo (de intensidade)", disse.

Para o professor Expedito José Ferreira, coordenador do Centro de Estudos de Convivência com o Semiárido da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), o primordial no momento é saber a causa dos abalos, já que, além da existência de uma falha geológica, há outras hipóteses, como a existência de mais de 200 cavernas subterrâneas na região, localizada sobre o aquífero Guarani, o maior manancial de água doce subterrânea do mundo.

Ele é autor de projeto para instalação de uma estação sismográfica permanente na região, mas o processo de compra do equipamento pelo governo do Estado ainda está em andamento. "Identificando o que ocorre, é possível adotarmos medidas preventivas nas construções e elaborar plano de contingência", disse Ferreira.

Segundo Mônica, apesar de ainda não haver como afirmar o que causou os abalos, há grande chance de o tremor ter sido causado por rompimento de rochas, o que justifica o estrondo ouvido pela população antes do tremor. Esse trabalho exige estrutura. No Brasil, segundo a professora, há cerca de 30 estações sismográficas. "Os Estados Unidos calculam a magnitude de um abalo com 70 a 90 estações", disse a cientista. / M.P.

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