Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Trem mata 6 vezes mais que bike em SP

Nos últimos 10 anos, 29 pessoas foram mortas por ciclistas em acidentes de trânsito; no mesmo período, trens mataram 183

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2015 | 02h01

Levantamento no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus) sobre mortes por atropelamento na cidade de São Paulo mostra que, nos últimos dez anos, 29 pessoas foram mortas por ciclistas em acidentes de trânsito. É o tipo de transporte menos letal entre todos os listados no Datasus. Os trens mataram, por exemplo, seis vezes mais no período: 183 pessoas.

A listagem do Datasus é feita pelo Ministério da Saúde a partir de informações hospitalares passadas pela Prefeitura e pelo governo do Estado. No caso dos trens, a listagem não detalha se as mortes foram causadas por composições do Metrô, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) ou das empresas de transporte de carga, que compartilham as linhas férreas usadas por passageiros.

No caso da CPTM, só em 2010 é que foi concluída uma política voltada para isolar completamente as seis linhas do sistema dos pedestres, com muros e grades. Já no caso do Metrô, também em 2010, o Estado tentou executar um programa de instalação de portas de plataforma. A Estação Vila Matilde, na zona leste, chegou a receber esses equipamentos - mas o programa não foi para frente, segundo informações do Metrô na época, por dificuldades de a empresa contratada realizar o serviço. No entanto, as estações inauguradas após aquele ano, nas Linhas 2-Verde e 4-Amarela, já foram concebidas com essas portas de proteção.

O governo do Estado foi questionado sobre o número de mortes, mas se limitou a informar, em nota, que "tanto o Metrô quanto a CPTM não dispõem desses números", sem fazer mais comentários.

Mortes. Em São Paulo, o veículo mais letal para o pedestre, segundo as informações do Datasus, é também a de maior frota. Entre 2005 e 2014, intervalo do levantamento, 2.468 pessoas foram atropeladas e mortas por automóveis, picapes e caminhonetes. Ou seja: os carros matam 85 vezes mais do que as magrelas que deslizam pela capital - em ciclovias ou fora delas.

Em números absolutos, os ônibus aparecem em segundo lugar no ranking de letalidade, sendo os veículos responsáveis por 1.549 atropelamentos na última década, seguidos de motocicletas e triciclos, que mataram 1.040 pedestres.

Ao todo, no período levantado, houve 6.804 mortes de pedestres na cidade. A capital vinha em uma tendência de franca redução no total de mortes por esse motivo. Em 2005, foram 823 ocorrências, número que caiu até atingir 530 registros em 2013. No ano passado, a tendência se inverteu: o número aumentou para 585 casos.

Minhocão. O zelador aposentado Florisvaldo Rocha, de 78 anos, morto na segunda-feira por um ciclista na Avenida General Olímpio da Silveira, no centro, sob o Minhocão, encaixa-se no perfil que, ainda segundo o Datasus, concentra o maior número de pedestres. Dos 29 mortos, 20, como ele, eram homens, 12 tinham mais de 65 anos de idade (faixa etária com mais casos) e oito também foram atropelados em uma segunda-feira, dia mais letal da semana.

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