Trem descarrila, bate e deixa 16 feridos no Rio

Causas ainda não foram esclarecidas, mas sindicato alega falta de manutenção da SuperVia; Estação Madureira foi parcialmente interditada

ANTONIO PITA / RIO, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2012 | 03h12

O descarrilamento de uma composição de trens urbanos no Rio deixou 16 pessoas feridas e levou pânico aos passageiros, na manhã de ontem. Por volta das 6h30, o trem da linha Japeri-Central do Brasil se chocou contra três pilastras da Estação Madureira, zona norte. As causas do acidente ainda não foram esclarecidas, mas o Sindicato dos Ferroviários aponta falhas na manutenção do sistema.

As 16 vítimas tiveram ferimentos leves, foram encaminhadas para hospitais da região e passam bem. Lotado, o trem estava em baixa velocidade ao se aproximar da estação. Apenas o último vagão se chocou com as vigas. A frente desse carro ficou completamente destruída, com bancos retorcidos e peças soltas.

Há relatos de que as portas do vagão se abriram e alguns passageiros caíram na plataforma. Os passageiros contam que um forte barulho foi ouvido no trem na estação anterior ao local do acidente. "Tinha muita poeira no ar e gente desesperada. Quem não estava machucado desceu pelo trilho, correndo. Fiquei bastante assustado", afirmou Eneias Moza, de 46 anos.

A estação foi parcialmente interditada, após uma vistoria da Defesa Civil identificar sérias avarias nas vigas. A SuperVia - concessionária que administra o sistema de trens e estações - deverá realizar a contenção nos pilares, antes da liberação do acesso. As pilastras sustentavam uma das áreas de embarque, com bilheteria e lanchonetes. "A estação balançou como se fosse um terremoto", relatou Isabel Silva, funcionária de uma lanchonete.

Causas. Para o Sindicato dos Ferroviários do Rio, o acidente evidencia a falta de manutenção no sistema de trens urbanos. "A empresa é negligente com os trens antigos, e isso causou uma série de ocorrências recentemente", afirmou o diretor do sindicato, Pedro de Oliveira.

Em nota, a SuperVia informou que uma comissão interna investiga as causas do descarrilamento. O resultado ficará pronto em 30 dias. De acordo com a empresa, a composição é da década de 1980 e passa por vistoria regularmente. A Agetransp, agência estadual que regula o serviço, também apura as causas do acidente, que causou transtornos na circulação dos trens durante todo o dia.

Denúncias. A ocorrência é o 23.º processo aberto na Agetransp contra a concessionária somente em 2012. A agência fiscaliza denúncias de má conservação dos trens, viagens com portas abertas, atrasos recorrentes e outros acidentes envolvendo o serviço. Nos últimos dois anos, as investigações resultaram em R$ 2,4 milhões de multas à concessionária.

No início da tarde de ontem, um passageiro morreu atropelado por um trem da SuperVia ao atravessar a linha férrea na Estação de São Cristóvão, na zona norte. A Polícia Civil e a concessionária também investigam as causas desse acidente.

Para amenizar os problemas, a concessionária informa que investirá, em 2012, R$ 284 milhões em obras de modernização. Além disso, 22 trens chineses, comprados pelo governo estadual, foram incorporados à frota, após três anos de atrasos. A expectativa é de que, até 2016, sejam 90 novos trens e 73 composições reformadas - os vagões que colidiram ontem estariam previamente relacionados para reparos.

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