Trem derruba casas e mata oito no interior de SP

Segundo a Defesa Civil do Estado, outras oito pessoas se feriram

CHICO SIQUEIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO, ARAÇATUBA, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2013 | 02h08

Atualizada às 8h48 

Pelo menos oito pessoas morreram e outras oito ficaram feridas no descarrilamento de um trem de carga em São José do Rio Preto, a 443 km da capital paulista. Os vagões caíram sobre casas na zona urbana e, segundo a Defesa Civil do Estado, equipes de resgate permanecem procurando vítimas nos escombros durante a manhã de segunda-feira.

O acidente com dez vagões carregados com pelo menos 400 toneladas de milho foi às 17 horas do domingo, no cruzamento da Rua Osvaldo Aranha com as Ruas Presidente Roosevelt e Anisio José Moreira, no bairro Jardim Conceição, perto da região central do município. No local em que ocorreu o acidente não há muros ou qualquer outro tipo de barreira de segurança entre a linha de trem e os imóveis, que ficam a menos de 20 metros do lugar por onde passam as composições.

Segundo relatos de testemunhas, o trem ia de São José do Rio Preto para Araraquara, saiu dos trilhos e avançou sobre as casas que margeiam a estrada de ferro, derrubando duas delas e danificando outras duas. Em uma das residências, um grupo de amigos fazia um churrasco. Entre os mortos estão uma grávida e uma criança, que chegou a ser socorrida, mas morreu ao dar entrada no hospital.

Investigação. A Polícia Civil ouviu, na noite de domingo, o maquinista para apurar se a composição estaria em alta velocidade, conforme afirmam testemunhas. O limite no local é de 40 km/h. A América Latina Logística (ALL), responsável pelo trem, informou que está apurando as causas do acidente por meio de uma sindicância.

A empresa destacou que sua prioridade era auxiliar no socorro e prestar toda a assistência às vítimas. "A concessionária responsável pela operação no trecho lamenta profundamente a fatalidade ocorrida e se solidariza com as famílias e vítimas, a quem dará todo suporte e apoio", disse a ALL, em comunicado divulgado no domingo à noite. Um diretor da empresa foi para o local, assim como uma equipe técnica da companhia.

O acidente ocorre em um momento em que a ALL, que detém a concessão de 13 mil quilômetros de ferrovias em seis Estados, deve pagar R$ 1,1 milhão de multa por não instalar equipamentos de segurança no trecho de São José do Rio Preto, onde já ocorreram diversos acidentes. A multa estava prevista em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público Estadual em 2002. A empresa recorreu e não pagou. Agora, recebeu o prazo de 180 dias para depositar a quantia, fazer as obras e estabelecer um plano de emergência para ser colocado em prática quando houver acidentes.

Resgate. Segundo o coronel Paulo César Berto, comandante dos bombeiros, havia corpos sob as ferragens, que se misturaram aos escombros das casas e ao milho. "A cada retirada de destroços, esses corpos recebem uma carga maior de peso", disse.

Os bombeiros trabalhavam com caminhões e máquinas retroescavadeiras para retirar o entulho e liberar os corpos. Os feridos estavam em situação grave e foram levados para hospitais da cidade.

As equipes de resgate instalaram geradores de energia para trabalhar na retirada dos destroços e esperavam a chegada de um guindaste para içar os vagões, facilitar a remoção dos destroços, a retirada dos corpos e a localização de possíveis novas vítimas. "Vamos trabalhar a noite toda para retirar esses corpos e vistoriar o local", disse o coronel Berto. / COLABOROU JOSÉ MARIA TOMAZELA

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