Trecho urbano da Dutra recebe 220 mil veículos diariamente

Para reduzir lentidão no horário de pico, uma nova marginal entre os Km 143 e 145 foi entregue em setembro

Simone Menocchi, de O Estado de S. Paulo,

04 de novembro de 2008 | 01h29

Inaugurada 19 de janeiro de 1951 com a sigla BR-01, a Rodovia Presidente Dutra é uma das mais importantes rodovias do País e a principal ligação rodoviária entre São Paulo e Rio de Janeiro. Há 12 anos, desde 1º de março de 1996, é administrada pela NovaDutra, a primeira concessionária de rodovia do País, responsável pelos 402,2 km de extensão, dos quais 181 km cortam o Vale do Paraíba, entre Guararema e Queluz, na divisa com o Rio de Janeiro. O maior movimento continua sendo no trecho da Grande São Paulo, onde trafegam cerca de 220 mil veículos diariamente, nos dois sentidos. Já no Vale do Paraíba, o maior gargalo ocorre entre Caçapava e Jacareí, numa extensão de pouco mais de 30 km e por onde passam aproximadamente 80 mil veículos por dia, nos dois sentidos. Conforme a assessoria da NovaDutra, 45% são caminhões, 5% ônibus e 50% veículos de passeio, perfil que muda ocasionalmente em feriados prolongados e religiosos, principalmente nos finais de semana, quando aumenta o fluxo de ônibus de romeiros para a Basílica Nacional, em Aparecida. Para se ter idéia da grandiosidade desse movimento, o pátio de estacionamento da Basílica Nacional opera com 4 mil vagas para carros de passeio e 2 mil para ônibus e em domingo de muito movimento a cidade recebe acima de 130 mil pessoas. Em função disso, a NovaDutra costuma indicar em seus painéis eletrônicos a saída do Km 171 (Avenida Itaguaçu) para acesso a cidade, por suportar maior fluxo e evitar congestionamentos na rodovia.  Mesmo assim, os gargalos são inevitáveis, principalmente entre São José dos Campos e Jacareí. Conforme o especialista em trânsito, Ronaldo Garcia, do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Universidade do Vale do Paraíba, isso ocorre especialmente nos finais de semana prolongados. "A cidade de São Paulo é o grande pólo gerador de trânsito. Basta ter um feriado que o tráfego na região fica caótico. Isso porque a concessionária não está cumprindo as cláusulas contratuais de garantir a fluidez necessária ao usuário", observa.  Na tentativa de melhorar a situação, a prefeitura de São José dos Campos tem tomado algumas iniciativas, apesar de a construção das marginais serem de responsabilidade da concessionária e do governo federal. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Transportes, a frota atual da cidade é de 270 mil veículos e grande parte utiliza a via Dutra com ligação entre as várias regiões do município. "Entre essas medidas está a construção de novas vias, interligações com a Dutra, Tamoios e Carvalho Pinto, além de duplicações de avenidas e a entrega de um viaduto altura do bairro Santa Inês", informa a assessoria. Criada para substituir a antiga Rio-São Paulo, construída em 1928, a duplicação da Via Dutra ocorreu entre 1965 e 1967. Na década de 90, a rodovia deteriorou-se rapidamente e por falta de recursos o Governo Federal criou o programa de concessões e a via Dutra passou para a administração da iniciativa privada. Com o objetivo de reduzir os congestionamentos nos horários de pico, principalmente entre 17h30 e 19 horas, em setembro deste ano foi entregue uma nova marginal entre os Km 143 e 145. Cerca de 30 mil veículos passam no trecho por dia. A obra custou R$ 7 milhões e foi uma iniciativa da Revap (Refinaria do Vale do Paraíba) em contrapartida à modernização e ampliação da unidade, que levarão a um aumento de produção e do tráfego de caminhões. "Na região, a Via Dutra é a rodovia mais caótica e a concessionária ainda está aquém das necessidades de atendimento aos usuários", reforça o especialista em trânsito.

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