Trecho Sul será via expressa sem postos

Reportagem percorreu os novos 48,5 km do Rodoanel; só há acessos para rodovias

RENATO MACHADO e RODRIGO BRANCATELLI, O Estadao de S.Paulo

14 Março 2010 | 00h00

Assim como o lado oeste do Rodoanel, o novo Trecho Sul do complexo será uma rodovia expressa sem nenhum tipo de entrada para bairros, trevos, retornos ou postos de gasolina. Os únicos acessos serão para as rodovias ligadas por ele. Para o motorista, isso significa que será preciso planejar a viagem e abastecer o veículo antes de entrar no Rodoanel. Essa limitação pode causar problemas aos desavisados - na Imigrantes, sentido São Paulo, o último posto de abastecimento fica 17 km antes da entrada do Rodoanel. Se o motorista estiver indo para a Bandeirantes e passar o posto, serão 89 km sem poder reabastecer.

No sentido litoral, há um posto no km 17, 8 km antes do complexo. Já na Via Anchieta, há um posto no km 29 (sentido São Paulo) e outro no km 22 (sentido litoral) - o Rodoanel fica na altura do km 27. Por fim, na Régis Bittencourt, sentido São Paulo, o último posto fica no km 282, 4 km antes do Rodoanel. No sentido Curitiba há um posto no km 277.

Percurso. Antes mesmo da inauguração, o Trecho Sul já recebe movimento de veículos. Um indício são as placas provisórias que indicam a velocidade máxima de 40 km/h naquela área. Na maioria são carros, caminhões e máquinas que trabalham na conclusão da maior obra viária em andamento no País. Um ou outro morador do entorno também se aventura no asfalto novo. E embora ainda seja preciso trocar de pista de vez em quando, por causa de um trecho inacabado, já é possível percorrer quase toda a extensão da rodovia. O Estado conheceu 48,5 km do novo trecho do Rodoanel na semana passada.

O trajeto foi realizado no sentido da Rodovia Régis Bittencourt para Mauá. É o caminho que, a partir do próximo mês, deve ser feito por caminhões que seguem da Região Sul para o Porto de Santos, por exemplo, ou por turistas do interior que preferem seguir para o litoral sul sem enfrentar o trânsito de São Paulo.

Por enquanto, o asfalto novo é um atrativo somente para os moradores dos bairros no entorno. O motoboy Ademir de Lima aproveitou a folga de seu aniversário de 40 anos, na última quarta-feira, para ensinar a mulher, Selma Leczackwski, de 41, a andar de moto. "Já avisei que em nenhum lugar ela vai encontrar essa pista lisinha, sem buraco."

Esse percurso poderá ser feito depois da inauguração em até 35 minutos - isso porque o limite de velocidade na via será de 100 km/h, ritmo que pode ser mantido em quase todo o caminho. O asfalto é predominantemente escuro, com exceção dos trechos perto das represas, em que há uma mudança para um tom mais claro, onde são usadas camadas de 24 centímetros de concreto, para dar mais segurança.

Em relação à paisagem do entorno, há uma alternância entre mata nativa e os pontos em que a vegetação cede para a invasão das águas das Represas Billings e do Guarapiranga. Essas belas imagens ganham contraste na região de São Bernardo do Campo, onde as áreas verdes e a beira das represas dividem espaço com grandes favelas, como a do Areião, próximo da Anchieta.

Dois postos de Serviço de Atendimento ao Usuário e do Comando de Policiamento Rodoviário serão instalados no trecho. Um deles estará no limite dos municípios de São Paulo e São Bernardo do Campo, ao lado da ponte mais extensa da via, com 1,75 km sobre a Represa Billings. O outro estará mais perto da Régis Bittencourt, no município de Itapecerica da Serra.

Pedágio. A partir de abril, os usuários devem começar a pagar pedágio para trafegar no Trecho Sul do Rodoanel. Haverá seis praças ao longo dos acessos das rodovias, mas o pagamento será feito no momento em que o veículo sair por um acesso da via. A licitação para a concessão do trecho será realizada no próximo mês e o valor máximo a ser cobrado foi definido em R$ 6.

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