Trecho Norte do Rodoanel fechará ruas da Cantareira

Estudo de Impacto Ambiental da obra revela ainda que imóveis próximos das futuras pistas deverão sofrer desvalorização

Bruno Ribeiro, Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2010 | 00h00

Mais ruído, mudança na paisagem e redução das opções de acesso. O Estudo de Impacto Ambiental do Trecho Norte do Rodoanel prevê que "áreas residenciais de médio e alto padrão" na região da Serra da Cantareira sofrerão esses males e, por isso, serão desvalorizadas com a construção da nova pista.

A obra vai fechar 32 ruas - 26 na região da Serra da Cantareira na capital paulista e em Guarulhos. O isolamento vai causar "processos de desvalorização imobiliária pela redução das possibilidades de acesso futuro em áreas de expansão urbana situadas ao norte do traçado, acarretada pela ruptura da malha urbana", segundo o documento. A maior parte dos bloqueios de ruas vai ocorrer em áreas de ocupação recente e irregular.

Além disso, está prevista desapropriação de 2.794 imóveis residenciais, industriais e rurais nas duas cidades e em Arujá. A previsão é de que o trecho fique pronto em 2014. Segundo o estudo, o Trecho Norte terá 44 quilômetros. Desses, 6,3 km estão divididos em seis túneis. A via tem orçamento previsto de R$ 5,3 bilhões e terá saídas para as Avenidas Raimundo Pereira de Magalhães e Inajar de Souza.

A projeção do impacto da obra nos imóveis da região também traça um processo "pontual" de desvalorização nas áreas de médio e alto padrão adjacentes à "faixa de domínio" da pista - a linha de 130 metros de largura que vai receber as faixas de circulação. O motivo são os "impactos ambientais permanentes, como o aumento do nível de ruído e as alterações na paisagem".

Anteontem, um grupo de moradores da zona norte da capital se reuniu com representantes da empresa estadual Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa) para se manifestar contra a obra, que vai tomar 98 hectares de mata nativa. "O parque (Ecológico da Cantareira) é um organismo vivo. Se for cercado, ele pode morrer", diz o editor Eduardo Britto, de 47 anos, um dos ativistas contra a via.

O engenheiro civil Péricles Rosa, de 57 anos, que vive em um condomínio na Avenida Inajar de Souza, reclama do barulho que a estrada pode trazer. "Comprei aqui por causa da tranquilidade. Não sei ao certo qual é o traçado, mas, se passar aqui perto, trará incômodo."

O Estudo de Impacto Ambiental ainda precisa ser aprovado pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) para que a obra seja autorizada. E outras audiências públicas deverão ser marcadas.

Valorização. Se parte dos imóveis ao redor do Trecho Norte do Rodoanel pode ser desvalorizada, outras regiões influenciadas indiretamente pela pista devem sofrer um processo de valorização, segundo o Estudo de Impacto Ambiental. "Destacam-se neste quesito as regiões no entorno dos anéis viários e dos eixos da Marginal do Tietê e da Rodovia Presidente Dutra, além das áreas urbanas consolidadas da zona norte da capital e no centro de Guarulhos", informa o texto.

O benefício seria fruto de uma esperada melhoria no trânsito da cidade. O estudo destaca ainda a possibilidade de ocupação de áreas ao redor das vias de acesso à nova pista por indústrias e empresas de logística.

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