Trecho do Piracicaba seca e atração turística desaparece

Trecho do Piracicaba seca e atração turística desaparece

Curso d'água está com vazão de 12,4 metros cúbicos por segundo, quase um quarto de sua vazão normal

José Maria Tomazela , O Estado de S. Paulo

08 de outubro de 2014 | 16h26


Atualizada às 22:24

O Rio Piracicaba sofreu uma queda de 83% na vazão e a cachoeira, principal atração turística da cidade, virou um amontoado de pedras. Apenas fios de água escura escorrem entre as rochas, onde antes um turbilhão formava a neblina que deu a Piracicaba o apelido de “Noiva da Colina”. Conforme dados do Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE), o rio está com vazão de 12,4 metros cúbicos por segundo, quase um quarto dos 75 mil m3/s de sua vazão normal neste mês.

No Parque do Mirante, de onde se observa a cachoeira, os raros visitantes sentem apenas o mau cheiro que exala do rio. Com a queda no nível, a poluição se concentrou. Nas margens do rio, o mato cresce e a grama se espalha, servindo de pasto para cavalos. Uma torre com observatório construído pelo município para a observação do salto está às moscas. Da ponte pênsil de madeira, pode-se observar peixes mortos em meio ao lodo escuro. Em fevereiro, uma grande mortandade dizimou 20 toneladas de peixes.


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O Rio Piracicaba nasce da junção dos Rios Atibaia e Jaguari, dois dos formadores do Sistema Cantareira, que hoje abastece 6,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo e enfrenta grave crise hídrica. O rio corre a partir de Americana em direção ao centro do Estado, desaguando no Rio Tietê, próximo da barragem de Barra Bonita. Na passagem por Piracicaba, ele forma fortes corredeiras. Com a maior estiagem da história, onde antes era água, agora é possível caminhar sobre as pedras.

Prejuízo. Comerciantes da Rua do Porto e da Avenida Beira-Rio reclamam do afastamento dos turistas e dos prejuízos. Alguns bares e restaurantes que tinham peixes no cardápio fecharam as portas. O movimento de turistas nos fins de semana está reduzido a menos da metade – muitos são atraídos pelo estado de penúria do rio. Medições da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo, indicaram próximo da cidade índice de oxigênio dissolvido na água de 2,9 miligramas por litro, quando o aceitável seria a partir de 5 mg/l.

A situação preocupa o Ministério Público Estadual, que atribui o problema, além da estiagem, à redução de 5 para 3 metros cúbicos por segundo na vazão do Sistema Cantareira para as bacias do Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). 

“A situação do rio é reflexo direto da gestão do Sistema Cantareira, já que existe um desequilíbrio entre a água liberada para o abastecimento da Grande São Paulo e para o PCJ”, disse o promotor Ivan Carneiro Castanheiro, do Grupo de Atuação Especial para o Meio Ambiente (Gaema), do Ministério Público de Piracicaba. 

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