Travesti é detida acusada de obrigar outra a se prostituir em Moema

Denúncia partiu do irmão de uma das vítimas, que morava no Amazonas e foi agenciada via internet

Pedro da Rocha e Ricardo Valota, do estadão.com.br,

20 Outubro 2011 | 03h41

SÃO PAULO - Na noite de quarta-feira, a Polícia Militar encontrou, após denúncia, uma residência em Moema, na zona sul de São Paulo, em que 11 travestis, com entre 17 e 27 anos, viviam em condições precárias. Uma das moradoras disse à polícia que era obrigada, também por uma travesti, a se prostituir.

O maquiador Haroldo Cirilo, de 26 anos, conhecida como Scarlat,  seria responsável pela casa. Ela é suspeita de ter trazido as travestis de outros Estados, entre eles Rio de Janeiro, Mato Grosso, Minas Gerais, Sergipe e Ceará, pagando-lhes a passagem para se prostituírem em São Paulo. Ela agendava os programas, que geralmente eram feitos fora da casa.

Segundo a denúncia, Scarlat exigia que seus colegas de casa pagassem o dobro do valor da passagem para deixarem o local, e que os ameaçava de morte caso se recusassem a fazer um dos programas. Ela foi presa em flagrante por favorecimento de prostituição e tráfico interno de pessoas.

Localizada na Avenida Miruna, a residência foi alvo dos policiais após um amazonense, irmão de uma das travestis, procurar a Polícia Civil do Amazonas e fazer a denúncia, dizendo que o irmão dele havia sido agenciado via internet e que, em razão das condições financeiras, morava em uma casa e era obrigado, sob ameaças, a se prostituir para o aliciador.

Más condições. Segundo a coordenadora do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, Juliana Felicidade Armede, as travestis autorizaram a entrada dos policiais na residência. "No local encontramos restos de comida pelo chão, lençóis imundos, tábuas podres, condições de higiene precárias e ambiente lúgubre", contou Juliana.

O advogado da acusada de cafetinagem, que acabou detida, declarou que a denunciante havia se desentendido com as colegas e com sua cliente, e por isso fez o que seria uma falsa denúncia. Juliana afirmou que a travesti que fez a acusação será levado para melhores acomodações, terá proteção policial, se requisitada, e o Estado a levará para o Amazonas caso esse seja seu desejo. O caso foi registrado no 27º Distrito Policial (DP), do Campo Belo./COM MARCELA BOURROUL GONSALVES

 

Texto atualizado às 16h17 para acréscimo de informações

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