Filipe Araujo/AE-10/11/2010
Filipe Araujo/AE-10/11/2010

Travessia perigosa terá piso colorido

CET estuda ''caixa de segurança'' em uma área de 80 metros de cada via de risco; nesse espaço, velocidade máxima será de 30 km/h

Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

18 Fevereiro 2011 | 00h00

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) estuda adotar pisos coloridos em pontos perigosos de travessia de pedestres para reduzir a velocidade dos carros e chamar a atenção dos motoristas. Essa é uma das ideias da CET para reduzir o número de mortes de pedestres e motoqueiros no trânsito de São Paulo. A cada dez mortos em acidentes na capital, em 2009, cinco estavam a pé e três em motos.

Na pauta da CET há ainda a criação de um centro de educação para motociclistas, com previsão de inauguração para setembro (leia mais ao lado). Chamada de "caixa de segurança", a alternativa para a passagem de pedestres prevê que os motoristas trafeguem a 30 km/h em uma área de até 80 metros de uma via.

Isso criaria um espaço de tempo suficiente nesse trecho para quem deseja alcançar a outra calçada, segundo o autor do projeto, o engenheiro José Tadeu Braz. O plano também prevê que os pontos sejam pintados em amarelo, vermelho e verde para sinalizar que a área é de pedestres. O assunto é discutido pelos técnicos e não há prazo para a implementação.

O conceito foi desenvolvido em 2003 pelo engenheiro José Tadeu Braz, membro do Instituto de Engenharia de São Paulo e da Associação Brasileira de Pedestres. Ele afirma ter por base projetos de "traffic calming" (teoria de planejamento urbano comum na Europa que prevê a redução da velocidade dos carros em benefício da circulação de bicicletas e pedestres).

"É uma coisa muito simples e de baixo custo", afirma o engenheiro. O primeiro passo é escolher um ponto onde os pedestres tenham dificuldade de atravessar por falta de semáforos ou faixa. Geralmente, são locais próximos de escolas, hospitais ou condomínios residenciais. Depois, a cor do asfalto é alterada para sinalizar ao motorista que "aquele terreno não é dele".

Em um trecho pintado de amarelo, o motorista é informado que deve reduzir a velocidade para 30 km/h. Para garantir o cumprimento da regra, o projeto prevê a instalação de lombadas eletrônicas. A pista é estreitada para evitar ultrapassagens e permitir a construção de um canteiro central onde o pedestre possa parar, caso não consiga atravessar de uma vez. As pessoas aguardam a brecha para passar em uma área pintada de vermelho na calçada. Ao notarem que podem andar, pisam na parte verde do asfalto. "O projeto é interessante. Quando há uma marca ou sinal, o motorista e até o pedestre prestam mais atenção", opina Lúcio Machado, presidente da ONG Centro de Defesas das Vítimas do Trânsito.

Um grupo de técnicos da CET publicou uma nota técnica no site da companhia com base em um trabalho acadêmico sobre a "caixa de segurança". O órgão de trânsito informou, por meio de nota, que a publicação "não significa que as medidas serão necessariamente adotadas".

 

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