'Travei uma luta durante dois anos para decidir'

"Exerci o ministério sacerdotal por dez anos, de 1966 a 1976. Minhas principais atribuições eram animar o trabalho socioeducativo da Arquidiocese de Natal e, aos domingos, integrar a equipe de irmãs que assumiam, como vigárias, a paróquia de Nísia Floresta. Era uma iniciativa pioneira de valorização da mulher como integrante do clero.

O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2013 | 02h03

Durante dois anos, travei uma intensa luta para decidir entre permanecer padre ou me casar. Sentia-me grávido de dois buchos, ambos queridos, ambos fonte de realização e de felicidade - mas incompatíveis. Qual dos dois sacrificar? Para complicar, havia o peso de minha estrutura familiar. Meus dois irmãos bispos fizeram de tudo para preservar minha condição de padre. Ao final, optei por deixar o ministério e me sinto realizado na minha família.

Como leigo, me dediquei à educação, sobretudo de jovens e adultos. Por 12 anos, atuei como Diretor Nacional do Serviço Social da Indústria (Sesi). Em 1978, casei com a Juciara e tivemos dois filhos, Emmanuel e Raissa.

Permaneço ligado à Igreja, sobretudo aos valores. Colaboro com dioceses e paróquias no que me solicitam. Não aspiro voltar ao exercício do ministério sacerdotal. A esclerose das estruturas é paralisante e deformadora. Impede a afirmação do batismo como o sacramento fundante da Igreja.

O papa Francisco representa uma primavera no mundo e na Igreja. Sua inspiração de vivificar o cotidiano das pessoas com valores evangélicos encanta a todos. Cria pontes, não ergue muros. Já que fui reduzido ao estado leigo - na triste expressão do rescrito romano que me dispensou do ministério sacerdotal - aqui permanecerei, embora respeite os colegas que desejam voltar a ser padre."

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