Tratamento de abuso infantil em SP triplica

Entre 2001 e 2011, nº de crianças atendidas no Pérola Byington passou de 352 para 1.088; para especialistas, sociedade agora denuncia mais

MARIANA LENHARO, O Estado de S.Paulo

22 Março 2012 | 03h03

O número de crianças vítimas de abuso sexual atendidas na capital pelo Hospital Pérola Byington, referência nesse tipo de atendimento no Estado, cresceu 209% em dez anos. Entre os adolescentes, o aumento foi de 52,4%. Especialistas interpretam os números como resultado de mais informação sobre o tema.

"Há dez anos, as pessoas não procuravam tanto por ajuda. Hoje, entenderam que a violência existe e pode estar dentro da própria casa", analisa a psicóloga Daniela Pedroso, que trabalha no Núcleo de Violência Sexual do Pérola Byington.

Em 2011, foram atendidos 512 adultos, 1.088 crianças (de 0 a 11 anos) e 759 adolescentes (de 12 a 17 anos). Já em 2001 passaram pelo serviço 352 crianças, 498 adolescentes e 840 adultos. A diminuição do atendimento de adultos é explicada por Daniela como o resultado da implementação de serviços para vítimas de abuso em outros centros da capital paulista. O tratamento de crianças e jovens nessas condições, porém, continua concentrado no Pérola.

Os dados também mostram que, durante a última década, houve aumento de 200,9% de vítimas do sexo masculino - o número de casos passou de 108 para 325 entre homens de todas as faixas etárias. O médico Jeferson Drezett, coordenador de gerência do Núcleo de Violência Sexual, diz que o fenômeno está ligado a mudanças culturais da sociedade, que passou a denunciar as ocorrências com mais frequência.

Perfil. A forma de agressão e o perfil do agressor variam conforme a faixa etária da vítima, diz Daniela. Entre as crianças, o agressor costuma ser conhecido e o abuso é cometido dentro da casa da vítima. Já entre os adultos, o agressor é desconhecido e a violência ocorre em ambientes públicos, na maioria dos casos. Entre os adolescentes, são observados os dois perfis.

De acordo com a psicóloga, a família deve observar sinais que podem servir de alerta. "Qualquer mudança brusca de comportamento já é um sinal importante a ser observado pelos pais e pela escola. Não é sinônimo de abuso, mas pode mostrar que algo errado está acontecendo."

Os profissionais ressaltam que nenhuma queixa infantil deve ser subestimada ou interpretada como simples fantasia. "O relato dessa criança geralmente traz uma história permeada de detalhes que ela não teria como inventar", afirma Daniela.

É importante que a vítima receba ajuda o quanto antes para evitar possíveis sequelas no futuro. O tratamento no Pérola Byington inclui acompanhamento médico por seis meses e um tratamento psicológico com duração indefinida - que pode incluir a família.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.