Transportadores de entulho travam a Marginal do Tietê em protesto

Caminhões de caçamba precisam se adequar a regra de monitoramento; Prefeitura quer combater descarte irregular e vai dar prazo maior para o setor

Fabiana Cambricoli e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

07 de agosto de 2015 | 15h19

SÃO PAULO - Um protesto de caminhoneiros transportes de entulho na Rua Azurita, no Canindé, travou as pistas local, central e expressa da Marginal do Tietê, no sentido Ayrton Senna. Os proprietários dos veículos com caçamba pedem mais tempo para se adequarem a uma resolução da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Serviços, que exige um cadastro on-line de todos o caminhões usados no descarte de sobras de construção civil.

A tecnologia exigida pela Prefeitura permite que os veículos sejam monitorados na garagem, nos locais de coleta e nos pontos de descarte para evitar que as entulhos sejam dispensados de forma irregular e ilegal. Quem precisa do serviço deve procurar o site da Amlurb para contratar os serviços autorizados. Desde 2002 existe o Controle de Transporte de Resíduos (CTR). Antes da resulução da Amlurb, o acompanhamento era feito através de planilhas de papel. Agora, o acompanhamento será eletrônico e em tempo real. Ao contratar uma das empresas autorizadas pela Prefeitura, os transportadores de entulho emitem um CTR digital que chega nos computadores da Amlurb.

Com isso, o órgão da Prefeitura sabe que a caçamba tem cinco dias para descartar o entulho em áreas destinadas para o descarte. O despejo dos restos de construção civil também deve ser feito em locais autorizados, que emitem um novo CTR para a Amlurb. A autuação para quem descarta os materias em áreas irregulares é de R$ 672,71.

Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), por volta das 15h15 e protesto na Marginal Tietê acumulava uma fila de 13,3 quilômetros de congestionamento entre as Pontes das Bandeiras, na zona norte, e a Rodovia Castello Branco, na zona oeste. Por volta das 15h, a cidade tinha um trânsito de 98 quilômetros em todas as vias monitoradas pela companhia. O valor é 25,6% maior do que a máxima já registrada no horário que é 78 quilômetros de lentidão. A tendência é baixa, já que de acordo com o órgão o protesto se dispersou às 14h41. Às 15h30 o trânsito começou a voltar aos índices médios da cidade.

Novo prazo. Em evento na manhã desta sexta-feira, 7, o prefeito Fernando Haddad (PT) defendeu a mudança no monitoramento das caçambas. “Você roda a cidade e a quantidade de entulho nos chamados pontos viciados precisa ter uma parada. Nosso intuito não é inviabilizar a atividade, é garantir regras que impeçam o mau empresário de atuar na cidade e o bom empresário de prosperar na cidade. O controle eletrônico das caçambas é fundamental porque senão não temos a garantia de que o material recolhido vai para o aterro sanitário ou para uma central credenciada de reaproveitamento de materiais”, disse.

O prefeito informou que, após reunião com representantes dos trabalhadores do setor, na manhã desta sexta, a Secretaria de Serviços propôs adiar em 30 dias o início da vigência da norma, previsto para o dia 19 de agosto. “Podemos negociar prazo, até flexibilizar uma ou outra norma, mas não podemos abrir mão do controle. São 4 mil pontos viciados na cidade de São Paulo”, disse ele.

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