TRÂNSITO PIOR MUDA IDEAL DE SUBÚRBIO

Essa migração das elites e a preferência por bairros cada vez mais centrais é percebida tanto por urbanistas e economistas quanto, sobretudo, pelo mercado imobiliário.

O Estado de S.Paulo

13 Janeiro 2013 | 02h04

Para o presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Claudio Bernardes, os paulistanos iam para bairros mais afastados e até saíam da capital em busca de terras baratas e qualidade de vida, mas com uma condição. "O processo de suburbanização é um modelo de vida que depende das highways, vias de acesso rápido até o centro da cidade, como nos subúrbios americanos. Isso existiu em São Paulo em um primeiro momento", explica.

Mas a idealização da vida em subúrbio caiu por terra em São Paulo quando o trânsito começou a piorar. "A questão da mobilidade passou a ser problema. Bairros como Morumbi e cidades próximas, como Barueri ou Jundiaí, ficaram impraticáveis."

"Se antes as pessoas chegavam rápido a São Paulo e paravam no trânsito do centro, agora já começam a ficar paradas nas rodovias. Em casos extremos de condomínios de Alphaville e Granja Viana, o engarrafamento já começa na saída de casa." Bernardes acredita que a tônica do desenvolvimento se dará pela forma com que o poder público vai escolher tratar questões de locomoção e urbanização.

Para o especialista em economia urbana e gestão pública da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Ricardo Gaspar, há um lado maligno no retorno das elites ao centro expandido. "A perversidade disso é que, enquanto o rico escolhe vir para o centro, quem é pobre precisa se afastar cada vez mais, porque não pode pagar os altos preços cobrados. Aí sim cria-se a distância geográfica e econômica entre as classes", diz.

"O que regula a distribuição geográfica da população no solo é a renda da terra, obtida pela valorização e localização dos imóveis. Se quem paga mais vive em um lugar com mais infraestrutura, esses locais se tornam uma experiência artificial de cidade, sem convivência entre os diferentes. Enquanto isso, os anéis periféricos se tornam cada vez mais miseráveis", conclui Gaspar.

Degradação. O arquiteto Bruno Padovano, da USP, concorda com a artificialidade das vivências no centro expandido. "Com uma degradação social intensa, morar em uma vizinhança equilibrada dá status e ainda cria uma sensação de relativa segurança, oferecida pelas grades dos prédios". / N.C e R.B

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