Trânsito fere 1 a cada 20 minutos e mata 1 a cada 13h

Líder no total de vítimas, SP é 30ª no ranking por 100 mil habitantes; no interior, pior situação é registrada em cidades cortadas por rodovias

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2011 | 00h00

Uma pessoa morreu a cada 13 horas como vítima de acidente de trânsito nas ruas da capital ao longo dos últimos quatro meses. Entre janeiro e abril, o total de vítimas em São Paulo chegou a 228, conforme dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública.

Apesar de ter o maior número absoluto de vítimas, a capital fica em um modesto 30.º lugar quando o ranking leva em consideração as mortes por 100 mil habitantes entre as 44 cidades do Estado com mais de 150 mil moradores. Nesse critério, o primeiro lugar é de Itu, no interior de São Paulo, com 23 mortes em acidentes de trânsito por 100 mil habitantes. A capital registra taxa de 6 por 100 mil habitantes.

De acordo com técnicos da Prefeitura de Itu, existe um motivo claro para explicar a liderança da cidade no ranking de acidentes de trânsito: quatro importantes rodovias passam pela cidade - Castelo Branco, Marechal Rondon, Dom Gabriel Paulino Bueno Couto e Santos Dumont. São nessas vias que ocorre a maioria das mortes. No perímetro urbano, o trânsito é tranquilo e registrou apenas uma vítima no primeiro quadrimestre.

A situação se repete entre outros líderes do ranking, cidades onde rodovias são importantes eixos de ligação interna, além de receber fluxo importante de carros de todo Estado. São Carlos, por exemplo, é cortada pela Washington Luís; Itapecerica da Serra, pela Régis Bittencourt; Limeira e Jundiaí, pela Bandeirantes; Taubaté, pela Dutra.

O ranking feito pelo Estado não levou em consideração as cidades litorâneas com mais de 150 mil habitantes. São elas Praia Grande, Guarujá, Santos e São Vicente. O motivo é que, para fazer o cálculo de mortes por 100 mil habitantes nessas regiões, é preciso considerar a população flutuante, que chega a essas cidades principalmente nas férias e nos fins de semana. O grande fluxo de turistas acaba distorcendo o cálculo.

No outro lado da tabela, Itapevi e Ferraz de Vasconcelos não registraram nenhuma morte por acidente no primeiro quadrimestre deste ano. No Estado, os acidentes de trânsito já causam mais mortes do que os homicídios, cujas taxas caíram 70,3% em dez anos. Essa inversão, que já vinha ocorrendo desde 2008, voltou a se confirmar entre janeiro e abril deste ano. Morreram 1.477 pessoas em acidentes no Estado e 1.353 foram assassinadas.

Em Itu, por exemplo, o total de mortes no trânsito (12) nos quatro primeiros meses deste ano foi duas vezes maior do que o de vítimas de homicídios.

Na capital, apesar da redução de homicídios dolosos, ainda morre mais gente assassinada (305) do que vítima de acidentes de trânsito.

Lesão corporal. Se as vítimas fatais de trânsito ficam em patamar baixo na capital, os ferimentos em acidentes ocorrem em larga escala. Nos quatro primeiros meses do ano, uma pessoa ficou ferida a cada 20 minutos em São Paulo. Ao todo, foram 8.341 vítimas de lesão corporal culposa por acidente de trânsito na cidade. No Estado, esse total foi de 44.453 pessoas feridas.

PARA LEMBRAR

Pesquisa da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) apresentada no começo do ano mostrou que o trânsito provocou a morte de 1.357 pessoas nas ruas de São Paulo no ano passado. Quase 70% das vítimas eram jovens entre 20 e 29 anos e 478 morreram em acidentes de motocicletas, o que significou um aumento de 11,2% em comparação a 2009.

As pessoas nas calçadas e atravessando as vias, no entanto, foram as maiores vítimas, com 630 mortos em 2010. O relatório apontou ainda que 41,8% das colisões com mortes na capital envolveram moto e carro. Na sequência (14,9%), apareceram choques entre motos e ônibus.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.