ALEX SILVA/ESTADÃO
ALEX SILVA/ESTADÃO

Trânsito de São Paulo mata ou fere 3 por hora

Dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostram que 1.249 pessoas morreram em 2014, um aumento de 8,4%

Felipe Resk e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

15 Julho 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Às 8h20 de 15 de outubro de 2014, o técnico de informática Roberson Miguel, de 35 anos, estava parado de bicicleta em um cruzamento da zona sul, quando foi atropelado. Não seria o único naquele horário. Um estudo da Prefeitura de São Paulo mostra que, no ano passado, três pessoas ficaram feridas ou morreram, a cada hora, em algum tipo de acidente de trânsito.

Dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) obtidos pelo Estado mostram que, no ano passado, 28.635 pessoas se feriram ou morreram no trânsito da capital. O estudo foi feito para saber se o aumento de velocidade dos ônibus em faixas exclusivas teve responsabilidade na morte de pedestres. Para a Prefeitura, não há relação.

Apesar de alto, o número de vítimas em acidente de trânsito teve queda de 7,8% em relação a 2013, quando o índice foi de 31.085. No entanto, em 2014 o trânsito matou mais: foram 1.249 vítimas contra 1.152 no anterior - alta de 8,4%.

No dia em que entrou para as estatísticas, Miguel estava de bicicleta na Avenida 9 de Julho com a Rua Turquia, nos Jardins, zona sul, aguardando o semáforo. Quando a luz verde acendeu, um carro saiu da faixa da esquerda, fechou outros veículos e atingiu o ciclista. 

“Acertou no meio da bicicleta. Eu ainda tentei me equilibrar, mas caí no meio da rua”, lembra. O acidente deixou Miguel afastado do trabalho por três meses já que, na queda, ele trincou o calcanhar esquerdo. O motorista fugiu do local.

Dirceu Rodrigues Alves Junior, chefe do Departamento de Medicina do Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, classificou como “assustador” o número de vítimas. De acordo com ele, falta educação de trânsito nas capitais. “Nossos motoristas aprendem a fazer o carro andar, mas não a dirigir”, disse. Segundo ele, o comportamento de pedestres, ciclistas e motoristas também influenciam na composição do cenário.

Os aparelhos celular aliados a pouca educação na formação do motorista ajudam a compor o quadro de mortos e de feridos. “Se a pessoa está desatenta, com a cognição comprometida, ela desvia o foco, se distrai e se envolve em um acidente.” 

Segundo Horário Augusto Figueira, mestre em Transportes pela Universidade de São Paulo (USP), a cada multa aplicada a um motorista, outras 4 mil infrações foram cometidas por ele. “A ação educativa sempre tem que ficar associada à fiscalização”, disse Figueira. 

Diante desse cenário, a administração municipal tem reduzido a velocidade. A partir de segunda-feira, o limite nas Marginais será diminuído de 90 km/h para 70 km/h nas pistas expressas. A Prefeitura também pretende reduzir para 50 km/h a velocidade padrão da cidade. 

Questionado sobre os acidentes, o prefeito Fernando Haddad (PT) disse que a CET estuda ampliar a quantidade de faixas e semáforos para pedestres na capital, principalmente, onde há corredores de ônibus. As travessias, segundo ele, “tem sido a maior fonte de problema”.

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