Transição de governo vira caso de polícia em Holambra

Novo prefeito denuncia falta de equipamentos e diz que caixa municipal tem apenas R$ 500

Ricardo Brandt,

04 Janeiro 2013 | 19h14

CAMPINAS - A transição de governos na prefeitura de Holambra, a cidade das flores paulista, virou caso de polícia. O atual prefeito, Fernando de Godoy (PTB), registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil, em que denuncia sua antecessora, Margareti Groot (PPS), pelo saque de equipamentos e péssimas condições encontradas no paço municipal.

Quando chegou para trabalhar, no dia 1º, o prefeito e sua equipe declararam ter encontrado uma prefeitura sem computadores, faltando mesas, cadeiras, aparelhos de televisão e documentos. Na mesa do prefeito, um terminal de computador aberto, sem o disco rígido com a memória. Da sala de reunião, anexa ao gabinete, foram levados todos os móveis. As paredes estão mofadas e com a tinta descascando, os tetos estão com infiltração.

No pátio, veículos oficiais faltando peças e parados há mais de um ano, entre eles os ônibus que serviam para levar pacientes para o Hospital de Clínicas (HC), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em Campinas (SP). Eles estão com os pneus furados e sem condições de uso.

Godoy, que venceu nas eleições a ex-prefeita, afirmou ainda que falta dinheiro em caixa para pagar os salários de dezembro. Os holerites impressos estão parados na mesa da Secretaria de Recursos Humanos.

Segundo o prefeito, a folha é de R$ 2,2 milhões e no caixa municipal foi encontrado apenas R$ 500,00. Godoy afirmou que vai esperar a entrada dos pagamentos de impostos de janeiro para quitar essa dívida com o funcionalismo.

Policiais civis estiveram nesta quinta-feira, 3, no paço para constatar a falta de equipamentos. Uma sindicância, aberta pelo prefeito, agora vai levantar no inventário de patrimônio do Executivo para listar todos os itens que faltam na prefeitura para entregar para a polícia. O inquérito deve ser conduzido pelo delegado Marcelo Grandineti, responsável pela cidade.

Educação

Outra situação crítica denunciada pelo novo prefeito foi na Educação. Uma creche foi interditada nesta sexta-feira, 4, pela Vigilância Sanitária por falta de condições sanitárias. Foram encontradas entre outras irregularidades, fezes de ratos nos armários da cozinha. Durante esta semana, 50 crianças atendidas na creche Colmeia serão transferidas para outras unidades.

Em outra creche recém-inaugurada, o prefeito também afirmou estar sem uso por falta de equipamentos. Apesar disso, em um creche que foi fechada em 2011, na zona rural, foi encontrado um verdadeiro depósito de materiais, alguns deles nunca usados e apodrecendo. Amontoados no antigo espaço do refeitório, estão cadeiras escolares nunca usadas, berços de madeira na caixa, apodrecendo com a umidade, e cadeiras de refeição.

A ex-prefeita Margareti Grotti não foi localizada para comentar as acusações.

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