'Transformação de todo o lixo acabaria com aterros'

Recentemente, a Faculdade de Medicina da USP foi palco do TED x FMUSP, que reuniu especialistas de diversas áreas para discutir o futuro das metrópoles - organização internacional sem fins lucrativos, a TED se dedica "às ideias que merecem ser espalhadas".Entre os palestrantes, estava o artista plástico e ambientalista Sérgio Prado, que defende a transformação de todo o lixo em elementos construtivos limpos, amalgamados com poliuretano vegetal, que é uma resina de mamona.

Entrevista com

EDISON VEIGA, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2012 | 02h03

Como o senhor resumiria sua ideia de reaproveitamento?

Você só consegue acabar com o lixo se você tiver uma nova vocação para ele. Não adianta só compactar os resíduos ou depositá-los em aterro. Dá para transformá-lo em um produto que tem elasticidade, porque uma parte é plástico, tem densidade, outra parte é resto de obra, tem amarração, e uma parte é roupa... Teremos, então um material maleável, que pode ser utilizado na construção civil: para pavimentação, escolas, creches e casas populares.

como isso poderia ser feito na prática?

Defendo a construção de miniusinas em cada bairro. Por lei, as prefeituras são as responsáveis pelos detritos gerados nas cidades. Ou seja, elas têm à disposição a única coisa que a humanidade produz sem crise - anualmente, a produção de lixo aumenta de 8% a 10%.

Mas seria possível já aplicar isso hoje em dia?

Sim, com as tecnologias já existentes. O lixo precisa ser moído, secado e misturado. As receitas precisam vir dos institutos de pesquisa, para dar a densidade e a durabilidade adequada para cada produto, de acordo com a sua finalidade. É algo extremamente simples. É algo melhor do que cimento.

Em sua opinião, esse seria o fim dos aterros sanitários?

Sim, afinal aterro é uma bobagem. Uma hora acaba infiltrando no lençol freático e contaminando tudo. Defendo um processo de reaproveitamento.

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