Tragédia no Rio deixa 4 mortos, 22 desaparecidos e uma cidade perplexa

Cinco dos seis feridos tiveram alta Famílias e bombeiros já não tinham esperanças de achar sobreviventes Desastre mudou rotina do centro da cidade Comerciantes mostravam solidariedade

O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2012 | 03h07

O centro do Rio amanheceu ontem envolto por uma nuvem de poeira, após bombeiros terem virado a noite em busca de possíveis sobreviventes do desabamento de três prédios comerciais, na noite de quarta-feira. Até as 21h, quatro corpos tinham sido retirados da montanha de escombros que tomou a Avenida Treze de Maio. Vinte e duas pessoas continuavam desaparecidas. No fim da tarde, parentes concentrados na Câmara dos Vereadores já não tinham esperanças de que bombeiros pudessem encontrar alguém com vida.

O desmoronamento mudou a rotina no centro da cidade. Ruas próximas da Cinelândia foram interditadas. A prefeitura pediu que a população não fosse de carro para o centro. Pessoas usavam máscara para se proteger da poeira que resultou da tragédia.

O primeiro corpo encontrado foi o de Celso Renato Cabral, de 44 anos. Ele estava abraçado a uma carteira de sala de aula e tinha um celular no bolso. O segundo corpo estava dilacerado, sem documentos. Cornélio Ribeiro Lopes, de 73 anos, foi identificado por parentes. O quarto corpo era de uma mulher, não identificada até as 21h. Dos seis feridos na véspera, cinco foram liberados e uma mulher submetida a cirurgia continuava internada.

O recém-reformado Theatro Municipal ganhou como paisagem de fundo uma parede de tijolos e uma montanha de toneladas de entulho. Com o passar do tempo, a esperança de encontrar vida no meio do entulho deu lugar à resignação. "As chances são muito baixas", disse o comandante da Defesa Civil, o coronel Sérgio Simões. Na noite da tragédia, ele falara de bolsões de ar que poderiam fornecer oxigênio para soterrados.

Quando a reportagem chegou ao local do desabamento, poucos minutos após a tragédia, ainda não havia isolamento e mais de cem pessoas transitavam pelas imediações sem entender o que havia ocorrido. Havia cheiro de gás no ar e muitos carros encobertos pelo pó. Bombeiros alertaram que era preciso se afastar dos prédios vizinhos, cuja solidez estava em dúvida. Pessoas que trabalhavam nas imediações ou passavam por ali contavam o que tinham visto. "Estava levando um casal para a Lapa e o desabamento aconteceu bem na hora em que passávamos pela Almirante Barroso. O carro não foi atingido, mas ficou coberto de pó", contou o taxista Robson Pedro.

À tarde, quatro prédios na região foram esvaziados para facilitar o trânsito das equipes de resgate. A população mostrava solidariedade. O dono do Galeto Liceu, André Tavares, abriu as portas mais cedo para servir água às equipes de resgate e cedeu o banheiro para os socorristas. "É minha forma de ajudar." / PEDRO DANTAS, FÁBIO GRELLET, MARIANA DURÃO, ALFREDO JUNQUEIRA, LUCIANA NUNES LEAL, BRUNO BOGHOSSIAN, FELIPE WERNECK, GLAUBER GONÇALVES e TIAGO ROGERO

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