Tragédia no Rio: 814 mortos e 25.114 pessoas sem casa

Segundo o MP, que confronta informações de parentes e amigos com dados de hospitais e IML, há 513 desaparecidos

Felipe Werneck, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2011 | 00h00

A maior catástrofe natural da história do País deixou pelo menos 25.114 pessoas desabrigadas ou desalojadas em 16 municípios da região serrana do Rio, segundo a Defesa Civil. Após 13 dias de buscas, o número de mortos chegou a 814. Há 513 desaparecidos, diz o Ministério Público do Rio, que confronta informações de parentes e amigos com dados de hospitais e do Instituto Médico-Legal.

A demolição de casas em áreas de risco começou ontem no bairro Alto Floresta, em Nova Friburgo, município com maior número de mortos: 394. Houve resistência. Segundo informações da Rádio CBN, traficantes tentaram impedir o trabalho. Construções condenadas, que ficaram à beira do abismo aberto pela chuva, foram marcadas com tinta laranja. Das 18 demolições previstas para ontem, apenas duas haviam ocorrido até o início da tarde. Técnicos aguardavam a chegada de assistentes sociais.   

 

 

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O governo estadual oferece R$ 500 por mês (aluguel social)até a construção de um imóvel pelo programa federal Minha Casa, Minha Vida. As outras opções são indenização pela casa derrubada (valores não divulgados) e a "compra assistida" de imóvel.

O vice-governador, Luiz Fernando Pezão, disse que o governo planeja construir 8 mil unidades habitacionais. Locais como o Alto Floresta serão recuperados e reflorestados para evitar novas ocupações. Construtoras ligadas ao Minha Casa, Minha Vida comprometeram-se a doar 2 mil casas, diz Pezão. Os projetos devem ser apresentados até amanhã para a elaboração de um plano diretor - 30 geólogos e mais de 200 engenheiros estão colaborando. "É fundamental a utilização dos 180 dias em que a cidade está sob regime de calamidade pública para emprego de tudo o que for necessário às obras emergenciais." Nessa situação, não é preciso fazer licitação.

O MP ajuizou ontem ações civis públicas contra as prefeituras de Itaboraí, Tanguá, Cachoeiras de Macacu e Rio Bonito para obrigá-las a elaborar planos de contenção, estabilização e proteção de encostas.

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