Tragédia leva vizinhos a instalar olho mágico em Santana de Parnaíba

Empresário assassinou casal e se matou depois de discussão por causa de barulho; criança de um ano e meio escapou dos tiros

O Estado de S. Paulo

24 Maio 2013 | 16h56

SÃO PAULO - A morte trágica de três vizinhos depois de um desentendimento por causa de barulho, na noite dessa quinta-feira, 23, deixou os moradores do condomínio Residencial Bosques de Tamboré, em Santana de Paranaíba, preocupados com a segurança de seus apartamentos. Na tarde desta sexta-feira, 24, marceneiros eram vistos instalando olhos mágicos nas portas e o clima era tenso. "Tenho dois pedidos. As pessoas estão todas assustadas", disse o profissional Josenilson da Silva, de 38 anos. O condomínio de luxo, em uma região com bastante verde, tem diversos moradores que deixaram a capital paulista em busca de sossego.

O empresário Vicente D'Alessio Neto, de 63 anos, executou a tiros um casal que morava no andar de cima e se matou em seguida, depois de se irritar com um suposto ruído de salto alto vindo da casa da família. O crime aconteceu às 21h, e pegou de surpresa funcionários e condôminos.

Vizinhos disseram que o casal tinha boas relações com todos. Neto, por sua vez, nunca tinha agredido ninguém anteriormente. As famílias, no entanto, vinham trocando farpas há cerca de um ano por questões ralacionadas a barulho, o que os levou a registrar quatro acusações mútuas no livro de ocorrência do condomínio. O empresário, segundo funcionários, também queixava-se com frequência do choro da filha de um ano e meio de Fábio Rubim, de 40 anos, e Miriam Cecília Amstalden Baida, que faria 38 anos nesta sexta.

A viúva de Neto explicou à polícia que ele estava em um processo de deterioração mental por conta da síndrome de Guillain-Barré, doença autoimune que o marido descobriu ter no ano passado. Ele passava ao menos cinco dias por mês no hospital e tomava morfina três vezes por dia por causa das dores intensas. Segundo o titular da delegacia de Santana de Parnaíba, Andreas Schiffmann, a mulher de Neto estava bastante abalada e com medo de represálias. "Ela disse que ele acabou com a vida dela, que não conseguiria mais sair na rua".

Leonardo Bracaccio, sobrinho do empresário, diz o tio não apresentava sinais de distúrbios mentais. "Ele tinha problemas neurológicos, mas não estava louco", contou. Sua irmã, Marlu D´Alessio, afirmou apenas que Neto "não estava bem".

O empresário será enterrado às 17h desta sexta-feira no Cemitério do Araçá, na zona oeste da capital paulista. O casal está sendo velado em Indaiatuba, no interior de São Paulo, onde deve ser enterrado.

 

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