Tragédia da Air France: livro revela mais diálogos

Divulgação de íntegra de conversas gravadas em caixas-pretas foi criticada por investigadores de acidente e empresa

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS , O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2011 | 03h00

Novos trechos dos diálogos registrados pelas caixas-pretas do avião da Air France que fazia o voo 447, entre Rio e Paris, e caiu no Atlântico em maio de 2009 matando as 228 pessoas a bordo confirmam que os pilotos não sabiam o que se passava na hora do desastre. A íntegra das conversas - cujo conteúdo, pelas convenções internacionais, deveria ser mantido em segredo - foi revelada no livro Erros de Pilotagem, do especialista em acidentes aéreos Jean-Pierre Otelli.

Segundo o livro, um dos copilotos se mostra surpreso ao cogitar a hipótese de um choque com o mar, enquanto o comandante Marc Dubois segue dando instruções aos tripulantes. Em um dos trechos, registrado logo após o retorno de Dubois à cabine, os copilotos David Robert e Pierre-Cedric Bonin explicam: "Nós perdemos o controle do avião. Não compreendemos nada. Já tentamos tudo". "O que precisamos fazer?", questiona um deles. Dubois responde: "Eu não sei! Está descendo!"

Até os últimos instantes, as palavras dos pilotos revelam desorientação quase completa. Em meio à confusão, Robert e Bonin exclamam: "P.q.p., a gente vai cair! Não pode ser! Mas o que está acontecendo"?! Na última frase captada pela caixa-preta, Dubois nem mesmo cogita a queda e segue dando instruções para controlar o avião.

A Air France e o Escritório de Investigações e Análises para a Aviação Civil (BEA), órgão francês que apura as causas do acidente, criticaram a divulgação das conversas. O BEA alega que já havia divulgado extratos dos diálogos importantes para esclarecer a tragédia e toda divulgação extra viola a privacidade e leva dor às famílias das vítimas.

"A transcrição menciona conversas pessoais da tripulação, sem vínculo com o evento, o que é uma grande falta de respeito ", diz o órgão. "A investigação não está terminada. Toda tentativa de interpretação é parcial." A Air France questionou as intenções do autor e pediu explicações sobre vazamentos.

Ao jornal Le Monde, Otelli disse que "não está a serviço de ninguém e tenta analisar o que pode ter acontecido".

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