Wilton Junior/AE-6/12/2010
Wilton Junior/AE-6/12/2010

Tráfico volta ao Alemão, diz Exército

Comércio de drogas volta à ativa em favelas do complexo; na Vila Cruzeiro, polícia investiga dois assassinatos cometidos por traficantes

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2011 | 00h00

A Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil do Rio investiga pelo menos dois assassinatos que seriam represálias do tráfico de drogas na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, zona norte do Rio, mesmo após a ocupação do conjunto de favelas pela Força de Pacificação, composta por paraquedistas do Exército e por policiais militares. Documentos confidenciais do Centro de Inteligência do Exército (CIE) também apontam que o tráfico de drogas voltou ao Complexo do Alemão.

A forma de atuação dos traficantes mudou, mas na Favela da Galinha um relatório aponta que homens armados mantêm uma boca de fumo itinerante. Para evitar prisões, o tráfico conta com alguns mototaxistas, que trabalham como olheiros. O documento do Exército aponta que em algumas bocas o usuário tem de dizer a senha ("onde estão os amigos?") para comprar entorpecentes.

As mortes dos dois moradores, um baleado e outro a pauladas, na Vila Cruzeiro também estão sendo investigadas pela polícia. "A parte baixa está ótima, mas na parte alta da favela alguns moradores contaram que houve cobrança do tráfico", disse um morador da Vila Cruzeiro (veja mais ao lado).

Os relatórios do Exército mostram que o tráfico voltou em várias localidades do conjunto de favelas. Um informe aponta que uma boca de fumo funciona atrás do depósito de uma loja na localidade conhecida como Skol, na Favela da Fazendinha.

Na mesma favela, nas localidades conhecidas como "Casinhas" e "Campo do Seu Zé", os traficantes também instalaram bocas de fumo. Recentemente, outro informe apontava que homens em um Corolla monitoravam o posicionamento dos homens do Exército.

Precariedade. Uma preocupação do Comando da Brigada de Infantaria Paraquedista é com o ânimo da tropa. Alguns soldados estão trabalhando há 40 dias na ocupação do Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro. As instalações para as tropas também estão precárias.

Na melhor delas, instalada em uma sala da estação do teleférico no Morro do Adeus, a base se resume a vários colchões espalhados no chão e cópias de fotos de traficantes do Complexo do Alemão procurados pela polícia coladas nas paredes. Não há local próprio para refeições e apenas garrafas de água estão à disposição dos militares.

Invasão. Com blindados e fuzileiros navais, a polícia invadiu o Alemão em 28 de novembro. Três dias antes, a TV exibiu a fuga de 200 homens da Vila Cruzeiro para Grota, no Alemão. Após a divulgação das imagens, 180 homens da Polícia Civil e da Polícia Federal, 190 PMs e 800 homens do Exército cercaram o Alemão.

PONTOS-CHAVE

Ataque inicial

Sob ordens de criminosos presos na Penitenciária Federal de Catanduvas (PR), traficantes do Rio fazem arrastões, queimam carros e assustam a população carioca no fim de novembro.

Reação

No dia 24, o Bope invadiu quatro comunidades da Penha. No dia seguinte, blindados da Marinha dão apoio à ocupação policial da Vila Cruzeiro. Três dias depois, Complexo do Alemão é invadido.

Resultado

37

traficantes morreram em todos os dias de operação, segundo balanço da polícia. Pelo menos 130 pessoas foram presas.

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