Tráfico usava terno, gravata e carrão

Bando abastecia PCC e CVV e escondia drogas em veículos caros, para despistar polícia; criminosos tinham fazendas e cavalos de raça

MIGUEL PORTELA , ESPECIAL PARA O ESTADO , CASCAVEL, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2012 | 02h05

Depois de dois anos de investigações da Polícia Federal, policiais desarticularam ontem uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de drogas, em especial crack e cocaína. Com base em Cascavel, no oeste do Paraná, o grupo é suspeito de usar carros de luxo para abastecer o Primeiro Comando da Capital (PCC), em São Paulo, e o Comando Vermelho (CV), no Rio.

Até o fim da tarde, haviam sido cumpridos 11 dos 22 mandados de prisão e 60 de busca e apreensão. Entre os detidos está Gilmar dos Santos Arruda, suspeito de pertencer ao PCC em São Paulo. Ele teria sido detido em Itaquaquecetuba, em uma casa de alto padrão.

A operação batizada de Vera Cruz foi desenvolvida simultaneamente em sete Estados (Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Bahia, Espírito Santo, Rio e Pará) e no Paraguai, com apoio da Secretaria Nacional Antidrogas.

Era da cidade paranaense que a quadrilha negociava a venda de drogas. O grupo tinha um patrimônio estimado em R$ 20 milhões e dispunha de aproximadamente R$ 10 milhões como capital de giro para a compra e venda de drogas.

De acordo com investigações da Polícia Federal de Cascavel, o transporte de drogas pela organização criminosa era feito em veículos preparados com fundos falsos dentro do Paraguai e depois enviados para o respectivo comprador no Brasil. Na maioria das vezes, a quadrilha optava por carros de luxo ou de alto valor no mercado.

A sofisticação era tanta que alguns desses automóveis tinham o registro do próprio motorista que transportava a droga. Eles seguiam de terno e gravata, na tentativa de enganar a polícia.

Cavalos. De acordo com o delegado-chefe da Delegacia da Polícia Federal de Cascavel, Fábio Simões, os criminosos não ostentavam riqueza e tinham hábitos simples para não chamar a atenção. Segundo as investigações, a organização começou com o contrabando de mercadorias do Paraguai e há cinco anos migrou para o tráfico. Alguns integrantes adquiriram propriedades rurais, máquinas e implementos agrícolas e até cavalos de raça.

Em Catanduvas, cidade a 40 km ao sul de Cascavel, está localizada uma das fazendas adquiridas pelos chefes da quadrilha. O local serve para o cultivo de soja e milho. Ao todo, a operação apreendeu 8 tratores, 1 ceifadeira, 1 retroescavadeira, 10 cavalos manga larga (no Pará), 10 carros, 3 armas e R$ 50 mil em dinheiro, além de computadores e documentos diversos.

Todos os bens pertencentes aos acusados foram bloqueados pela 1.ª Vara da Justiça Federal de Cascavel.

Apreensões. "Desde que iniciamos as investigações, já foram apreendidas cerca de 1,3 tonelada de crack e cocaína e 3 toneladas de maconha", afirmou o delegado-chefe.

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