Traficantes torturam jogador do Vasco no Rio

Crime teria sido uma vingança por Bernardo, meia do time carioca, ter se envolvido com a namorada do chefe do tráfico do Complexo da Maré

MARCELO GOMES / RIO, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2013 | 02h01

O meia do Vasco Bernardo foi sequestrado e torturado por traficantes do Complexo da Maré, zona norte do Rio, na noite de domingo, segundo a Polícia Civil. O crime teria sido cometido por vingança, após o jogador ter supostamente se envolvido com Dayana Barros Rodrigues, de 23 anos, que seria a "namorada número 1" do traficante Marcelo Santos das Dores, conhecido como Menor P, de 31 anos, chefe da facção Terceiro Comando Puro (TCP). Após o casal ser flagrado, Daiane levou cinco tiros na perna, e Bernardo, agressões e choques pelo corpo. O jogador, no entanto, nega.

O delegado José Pedro Silva, da 21ª DP (Bonsucesso), afirmou ao Estado que a sessão de tortura foi presenciada pelo zagueiro Wellington Silva, do Fluminense, e pelo volante Charles, do Palmeiras. "Pelo fato de Wellington Silva e Charles terem nascido na comunidade, eles não sofreram nada. Enquanto Bernardo era torturado, Wellington Silva argumentou com os traficantes que, se algo mais grave ocorresse, o caso teria grande repercussão e, no dia seguinte, a Maré receberia uma Unidade de Polícia Pacificadora", afirmou o delegado.

Segundo a polícia, Bernardo e Dayana foram flagrados na Vila do João. Em seguida, levados a uma casa no Timbau, onde ocorreu a tortura. As duas favelas ficam no Complexo da Maré. Elas são dominadas pelo TCP e separadas pela Linha Amarela, uma das principais vias expressas do Rio.

Os jogadores foram intimados a depor. Dayana foi ouvida informalmente no hospital, mas o conteúdo não foi revelado. O pai e a irmã mais nova dela prestaram depoimento ontem. "É mentira que Dayana tenha qualquer envolvimento com esse sujeito (Bernardo)", disse o aposentado Aquiles de Abreu Rodrigues, de 56 anos. Perguntado se a jovem é namorada de Menor P, o aposentado disse: "Ela já teve um caso com ele, mas isso foi no passado". Após ser baleada, Dayana foi operada na perna direita e no pé esquerdo. Teve alta anteontem.

O jogador afirmou ao GloboEsporte.com que não foi agredido por traficantes da Maré. No entanto, não falou sobre o suposto envolvimento com Dayana. "Estou bem e saudável. Não fizeram mal nenhum comigo. Estou à disposição da polícia", disse. Em nota, o Vasco informou que ofereceu assessoria jurídica e apoio psicológico.

Já Wellington Silva negou ter presenciado qualquer tortura. "Ele (Wellington) me falou que estava na comunidade com a mãe, e não no local (do suposto crime)", disse o técnico do Fluminense, Abel Braga. O clube não se manifestou sobre o caso.

O Disque-Denúncia oferece R$ 2 mil de recompensa por informações que levem à prisão do traficante Menor P.

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